sábado, abril 18, 2009

Call Me


O dia amanheceu cinzento. Levantei-me cedo.
A chuva não caiu.
Saí para a rua levando apenas um casaco e a minha filha.
Levei o coração cheio de incertezas,
mas não lhe dei de comer.
As certezas que ele queria, não havia,
e não podendo ter certezas prefere não comer.
Eu
a minha filha
e o coração,
voltámos para casa pelo mesmo caminho que tinhamos levado,
mas não o dexei entrar.
Não te quero aqui coração,
vai até onde quiseres...

sexta-feira, abril 17, 2009

She

She
May be the reason I survive
The why and wherefore I'm alive
The one I'll care for through the rough in ready years
Me
I'll take her laughter and her tears
And make them all my souvenirs
For where she goes I've got to be
The meaning of my life is

quinta-feira, abril 16, 2009

O rio que corre, algures....

A noite estava quente e o baile prestes a começar. Corria o ano de 1868. Lembro-me como se fosse hoje. O salão estava repleto de duques e duquesas, condes e marqueses. Os fatos de gala faziam as delicias das senhoras de bem que caíam facilmente na vulgaridade da maledicência. Quando as portas se abriram e, ladeada pela talha dourada que brilhava à luz de milhares de velas, ofuscaste tudo e todos, o meu peito, cheio do meu orgulho vão, que roçava facilmente a prepotência, estremeceu.
O cabelo castanho, cor de árvore despida pelo Outono, casava na perfeição com o brilho dos teus olhos, também eles castanhos. O sorriso tímido com que brindavas quem se cruzava com o teu olhar, a graciosa vénia que fazias, a serenidade que os teus passos transmitiam ao passares, tornaram-me um mirone de todos os gestos com que o teu corpo emoldurado no espartilho e ocultado pela saia armada, atravessava a sala boquiaberta.
Os tons do tecido, púrpura, realçavam-te a silhueta e o tom da pele. Os teus seios espartilhados, encimados por um fio singelo de prata trabalhada com uma pérola dos mares do sul dava-te um exotismo que mais nenhuma mulher possuía, por mais jóias que carregasse.
O teu brilho vinha de dentro.
E eu senti-me atraído por ele.
Dirigi-me a ti, curvei-me numa vénia sem nunca tirar os meus olhos dos teus.
A música começara entretanto, um compositor novo, de Viena, Strauss de seu nome. A música chamara-lhe Danúbio Azul, em homenagem ao rio que atravessava grande parte do império.
Transmitias-me a calma desse rio longo, que os antigos julgavam não ter princípio nem fim. Soube imediatamente, que eras a tal, eras a alma que ansiava tocar desde todas as vidas passadas, a alma que me tinha sido retirada nos princípios dos tempos.
Nunca mais nos deixámos desde aí. Os anos passam, as vidas passam, mas tu e eu, somos um. A unidade base do amor, indivisível, indestrutível, inquebrável, independente dos corpos estarem próximos ou não.
Sempre que esta música toca, as almas dançam, e longe, algures num rio que corre, canta as nossas vozes, inseparáveis até ao fim dos tempos.



The Blue Danube Op. 314 - Strauss II

terça-feira, abril 14, 2009

Tango to Evora

O som embala a dança, assim como as palavras embalam o sentimento....

segunda-feira, abril 13, 2009

Desafio da Gata



A gata Christies é um querida e ofereceu-me este selo. Obrigado gata.
No entanto o presente vem com uma batata quente, que é enumerar as minhas 5 manias/obsessões/apegos, assim sendo, aqui vai:

1. Dormir despido
2. Beber um copo de água ao acordar
3. Escrever
4. Enviar sms
5. Anatomia de Grey

Vou atribuir este selo e o correspondente desafio a:

1. Eu mesma!
2. SRRAJ
3. Ana
4. Yiskay
5. Zabour

Quero ver essas respostas...

Donna Maria - vinho do porto


Esta "menina" canta muito. Os Donna Maria são a prova que em Portugal também se pode fazer boa música e não só aquelas porcarias que as nossas rádios nos fazem ouvir.

domingo, abril 12, 2009

'As Ilhas dos Açores' - Madredeus

A paz, tão ansiada paz numa música de imagens.
A paz aqui tão perto...
A paz em mim
nos meus olhos, na minha boca, na minha alma.

A paz que quero partilhar.

Bom resto de Domingo....

Noite



Forço-me na noite pelas ruas, pelos sons, pelas vozes. Procuro o que em mim me falta e só encontro a vazio já conhecido do poder ter e não ter por não ser o desejado.
A noite não me traz nada de novo.
As caras novas, não me trazem nada de novo.
Está escuro aqui dentro e tarda a nascer o sol, tarda o dia a chegar.
Não há mais nada que possa sentir, que possa querer, que afaste de mim esta dor do silêncio que não se quebra, e que eu não posso quebrar...

sábado, abril 11, 2009

Estrela do mar

"... só ele sabe quem sou, no princípio e no fim..."

Gaivota

Se uma gaivota viesse
Trazer-me o céu de Lisboa
No desenho que fizesse
Nesse céu onde o olhar
É uma asa que não voa
Esmorece e cai no mar

Que perfeito coração
No meu peito bateria
Meu amor na tua mão
Nessa mão onde cabia
Perfeito o meu coração

Se um português marinheiro
Dos sete mares andarilho

Fosse quem sabe o primeiro
A contar-me o que inventasse
Se esse olhar de novo brilho
Ao meu olhar se enlaçasse

Que perfeito coração
No meu peito bateria
Meu amor na tua mão
Nessa mão onde cabia
Perfeito o meu coração


Se ao dizer adeus à vida
As aves todas do céu
Me dessem na despedida
O teu olhar derradeiro
Esse olhar que era só teu
Amor que foste o primeiro

Que perfeito coração
No meu peito morreria
Meu amor na tua mão
Nessa mão onde perfeito
Bateu o meu coração

Alexandre O'Neil

Almost Unreal

Babe, come in from the cold, and put that coat to rest.
Step inside, take a deep breath, and do what you do best.
Yea, kick of those shoes, and leave those city streets.
I do believe love came our way, and fate did arrange for us to meet.

I love when you do that hocus pocus to me.
The way that you touch, youve got the power to heal.
You give me that look, its almost unreal, its almost unreal.

Hey, we cant stop the rain, lets find a place, by the fire.
Sometimes I feel, strange as it seams, youve been in my dreams all my life.

I love when you do that hocus pocus to me.
The way that you touch, youve got the power to heal.
You give me that look, its almost unreal, its almost unreal.

Its a crazy world out there. lets hope our prayers are in good hands tonight.

sexta-feira, abril 10, 2009

Ocupação mental



Programa para esta noite:
cinema, filme de terror, para me esquecer do terror da ausência...

Novo capítulo.

Dois meses depois, voltei ao conto que tinha começado em Janeiro. Peço mais uma vez desculpa pela demora, mas como bem sabem não tenho tido tempo para desenvolver algo tão intricado como uma história que pretende manter o suspense até ao final.
Para quem já seguia, sabem onde ir, para quem está cá de novo, convido a ler:

Sem Ti (r)

(cliquem para aceder)

The blue lovers



Azul
amante
céu e mar.
Azul tão quente,
errante
presente.
Azul tristeza,
amor
beleza.
Azul fraterno,
abraço eterno.
Azul
que ficas
gravado na pele
deitado na cama
em cada palavra
que em meus lábios te chama.
Azul
Adeus sentido,
do amor perdido.

Pintura: Marc Chagall

Intensidade

Há nos nossos dias uma intensidade em tudo o que fazemos. Temos pressa para tudo. Para fazer, para ver, para sentir, para comer, para tudo. Não nos demoramos um pouco que seja para verdadeiramente apreciar o que está à nossa volta.
Eu, por mim falo. Quando chega um dia assim, feriado, sinto-me a olhar as coisas de maneira diferente. Com mais atenção, mais carinho, mais no seu todo, porque a pressa dos outros dias leva-nos, invariavelmente, a percepcionar apenas a parte.
Por exemplo, comer. Uma refeição saborosa, como a que tive o prazer de ter esta semana, arroz de lingueirão, num restaurante que à primeira vista não nos oferece grande confiança, não teve o impacto em mim que teria se a tivesse tido hoje, com tempo, com companhia, com a partilha do momento, e talvez até com a uma garrafinha de vinho... mais, a vista que me acompanhou, a praia, o mar, o som das ondas e a brisa, tudo isto, naquele dia me pareceu normal, quotidianamente normal, mas se o fizesse hoje, amanhã, ou Domingo, com uma companhia especial, a cada saborear daqueles bocadinhos de mar temperados com sabores e aromas da mãe terra, saber-me-iam bem melhor.
Isto tudo para dizer que, os feriados, os momentos, as refeições, as vistas dos mares, das terras, dos ares, sabem melhor quando partilhados, quando partilhados com alguém especial, seja amigo, familiar, namorado ou amante.
A vida é para ser partilhada, e eu, quero partilhá-la, acima de qualquer outro sentimento, é a partilha que me move e me faz desejar sentir a dois.

Boa sexta feira a todos e, boas partilhas.

quinta-feira, abril 09, 2009

FLASHDANCE!

Quem não se lembra disto?
Rever este clip transporta-me para a altura em que percebia muito pouco de quase tudo.
Era inocente, ingénuo, sonhador, como qualquer criança.
Olho agora para trás e vejo que este video é uma excelente analogia para as nossas vidas. O esforço constante, a crença de que vamos ser capazes, a alegria de fazermos o que gostamos devem ser constantes no nosso dia.
E, seja ao acordar ou ao adormecer, sabe bem dizer, estou vivo, WHAT A FEELING.....

Trouble Is A Friend

quarta-feira, abril 08, 2009

Os laços

"the ties that bind us are sometimes impossible to explain. they connect us even after it seems like the ties should be broken. some bonds defy distance... and time... and logic...because some ties are simply... meant to be..."

Tradução livre:

"Os laços que nos ligam são por vezes difíceis de explicar. Ligam-nos mesmo quando parece já terem sido quebrados. Desafiam a distância, o tempo e a lógica porque simplesmente estão destinados a existir."


Grey's Anatomy S5 E8

A ilha

Há numa ilha a magia,
as cores saltitantes de flores
e os ventos calmos do mar
que nos fazem querer ficar sempre mais um pouco
depois do sol se pôr.
Há na ilha uma certeza
que os trilhos da serra se completam
e as escarpas profundas
são as defesas da Terra,
o teste para amantes e loucos
que a pouco e pouco se aventuram.
Há na ilha o doce,
a ternura,
a vida breve de um amor perfeito,
um amor eterno à espera,
do encontro de dois lábios suspeitos.
Há no mar que a envolve
o calor de sorrisos rasgados em tardes suspeitas
e de certezas nascidas
do sopro da vida.
Na ilha em que me demoro,
me encontro
me sei
não há regra nem lei.
É a anarquia de sentimentos,
num corpo arrepiado
em que se espelha a verdade nua.

Anoitecer




Sobra-me em sentir o que me falta em palavras. Deixo Florbela para vos fazer companhia...

Anoitecer

A luz desmaia num fulgor d'aurora,
Diz-nos adeus religiosamente...
E eu que não creio em nada, sou mais crente
Do que em menina, um dia, o fui... outrora...

Não sei o que em mim ri, o que em mim chora,
Tenho bênçãos de amor pra toda a gente!
E a minha alma, sombria e penitente,
Soluça no infinito desta hora...

Horas tristes que vão ao meu rosário...
Ó minha cruz de tão pesado lenho!
Ó meu áspero intérmino Calvário!

E a esta hora tudo em mim revive:
Saudades de saudades que não tenho...
Sonhos que são os sonhos dos que eu tive....

Florbela Espanca

segunda-feira, abril 06, 2009

Post para desanuviar

A fada desafiou... aqui vai....


Quatro trabalhos que tive na minha vida:
1 - Chega uma, só sei ser vendedor
Até a mim me vendia mas ninguém me compra.

Quatro lugares onde vivi:
1 - Beja
2 - Faro
3 - Moncarapacho
4 - Albufeira

Quatro lembranças boas:
1 - O nascimento da minha filha
2 - O primeiro festival do Sudoeste
3 - O meu primeiro beijo
4 - O momento em que soube o que era o amor

Programas de TV que assistia quando era criança:
1 - Dartacão
2 - Willy Fog
3 - Tom Sawyer
4 - Mofli

Programas de TV que assisto:
1 - Anatomia de Grey (amoooooooooooo)
2 - BBC vida selvagem

Quatro lugares que estive e que quero voltar:
1. Praga
2. Budapeste
3. Madrid
4. Pirinéus

Quatro formas diferentes que me chamam:
1. Poeta
2. Parvo
3. Cromo
4. Tótó

Quatro pessoas que me mandam emails quase todos os dias:
1. Não ligo a mails em cadeia...

Quatro comidas favoritas:
1. Queijo
2. Pão
3. Vinho (pode ser? posso mastigar...lol)
4. Chocolate

Quatro lugares onde desejaria estar agora:

1. Lisboa
2. Lisboa
3. Lisboa
4. Já disse Lisboa?

Amigos que creio que me responderão:

Os que tiverem mais paciencia que eu, que me limitei a copiar o da fada e fazer algumas alterações lol

Espero que neste ano de 2009 eu possa:

1. Encontrar
2. Ter
3. Esperar
4. Viver

The End of The World

Porque há momentos em que é preciso saber dizer adeus, mesmo que tudo deixe de fazer sentido...

domingo, abril 05, 2009

Pele

Roço-me na tua pele quente, nua, como se de uma camisola me tratasse. Envolvo-te e toco-te os seios que endurecem na minha passagem. Arrepiada aceitas o meu toque e deliras aos poucos com a minha respiração que te desbrava o ventre, a nuca, os braços e os dedos que beijo e faço dançar com a minha língua.
Percorro-te com as mãos, fortes, que te agarram e te largam, em movimentos contínuos e simulações de prazer.
Tua pele é morena, como uma paisagem de Verão no Alentejo, e o calor que me dás, é o sol que te doirou.
O teu sorriso faz-me avançar pois é o teu gesto de querer. Eu, não me faço rogado e deslumbro-me em ti, com palavras ao ouvido, dentadas sensuais nas orelhas escondidas pelo cabelo. Invado o teu reino, deliciosamente fecho os olhos, e todo eu estremeço.
Reclamo para mim todo o território do teu reino escondido. A gruta que escondes na nuca, um pouco acima do pescoço que enquanto amo, beijo.
Reclamo-te a ti, porque és minha. Porque sou teu. Porque juntos seremos um. Como o somos agora, neste momento em que gritamos em uníssono o prazer. Neste momento em que fixamos o olhar bem fundo um no outro e, ruborizados, sorrimos...

Se te amo

Se te amo,
os pés vagueiam na areia da praia
e as ondas brilham-me os olhos.

sábado, abril 04, 2009

Humanidade a quanto obrigas...

Sou humano, repito, sou humano. Erro. Muitas vezes.
Não espero a perfeição dos outros porque sei que também eu não a tenho.
Dou-me muito, é verdade, vocês sabem disso. Mas eu não consigo ser igual a toda a hora. Há dias em que não tenho tempo, dias em que não tenho estado de espírito, dias em que não me suporto nem a mim. Há dias em que não me consigo dar...
Mas, acho que isso não faz de mim má pessoa. Não deixo de pensar em todas as pessoas que me querem bem, todas as pessoas que estão na minha vida.
Não dizer, não significa não pensar.
Há alturas na vida em que somos confrontados com situações tão... tão... overwhelming, que não sabemos para que lado nos virar e, muitas vezes, são os amigos que sofrem. E sofrem das mais variadas maneiras, pela ausência, pela impossibilidade de nos ajudarem, pela nossa revolta, pela nossa mágoa. Eu tento não os incomodar quando estou perante algo assim. Tento manter tudo como dantes, mas às vezes é impossível.
Estou numa dessas fases. Quando ela me atingiu, fechei-me, afastei-me, rejeitei todo o tipo de ombro que me ofereceram. Sei que magoei certas pessoas e sei que houve quem soubesse esperar.
Começo agora a saber lidar com a situação, por isso quero pedir desculpa a quem magoei e a quem atingi com a minha falta de rumo. Quero pedir desculpa por planos alterados que qualquer atitude minha possa ter provocado.

Errare humanum est

A meio da tarde

A meio da tarde,
eis que o sorriso volta e a a alma fica quente.

Obrigado vida, obrigado sol, obrigado.... :)

Fever!

Lua na Ponte - Susana Félix

Será que me reconheces
De frente para o rio,
De cara lavada
Tão cheia de frio

Era doce a solidão
Se vivida só por nós
Mais um pouco dizes: não!
Quem dera estármos a sós...

Só a lua que acordou
Em dia fogo,
Rasga a ponte sem pedir

Não, não corras tanto
Porque morro
No momento de partir

Por mim eu não complico
Que forma de estar perfeita...
Pára a lua num instante
Que é só ela que me deita.

O silêncio não é justo,
Não se ouve o coração.
Por palavras soa torto
Mais vale dizer que não!

Só a lua que acordou
Em dia fogo,
Rasga a ponte sem pedir

Não, não corras tanto
Porque morro
No momento de partir

Susana Félix

sexta-feira, abril 03, 2009

Death is not the end

Tenho muitas vezes atitudes que podem não fazer sentido à maioria das pessoas que comigo lida tanto na vida real como nesta vida mais virtual.
Parafraseando o recentemente falecido João Aguardela, mas adaptando-o à minha realidade, esta vida de blogger está a dar cabo de mim!
Não vou entrar em pormenores, nem pequenos, nem grandes, vou apenas dizer que tive a real ideia de acabar com este espaço, até porque quando o fiz não sabia da existência da ferramenta de recuperação.
Sei que muitos ficaram surpreendidos, sei que desiludi alguns também e sei que houve quem tenha ficado muito feliz.
Mas, principalmente, sei agora que nada disto fazia sentido.
A ideia esboçada de criar outro cantinho pareceu-me o melhor caminho. Um espaço impessoal, onde pudesse ir satisfazendo o gosto pelas letras, mas que mostrasse pouco de mim. Esse era o meu plano e, no final de uma semana em que o tempo foi apenas uma miragem, sento-me neste sofá para o construir e penso, não, esse não sou eu. Não me posso forçar a ser fútil, banal e a falar só do quotidiano. As letras que fluem de mim acabam invariavelmente em sentimento e isso não é só uma imagem de marca, é um estado de espírito.
Por isso, vou continuar este espaço que em Novembro faz 4 anos.
Vou continuar a escrever poesia, a amar em verso, a deixar aqui a prova que está à vista de todos, mas ninguém consegue ver.
Vou ser eu, mais que nunca, o homem que pensam esconder-se por detrás das letras, mas que sente na realidade tudo o que escreve. O homem com defeitos, o poeta que por vezes lhe apetece falar de futebol. O homem que vive num mundo de sonho, num mundo em que anseia constantemente que algo aconteça. Que algo mude naquilo que o envolve e não parece ter fim à vista.

Não escrevo para o engate.
Não escrevo para que me elogiem.
Não escrevo para fazer festinhas a egos mais sedentos.
Não escrevo para fazer seja o que for.
Escrevo porque necessito de o fazer. Escrevo que me é natural. Escrevo porque preciso desta janela para chegar a quem não tem outra forma de me saber.

Por isso, as Planícies estão de volta, e eu, aqui estarei a cantar, até que a voz me doa, aos quatro ventos, tudo aquilo que amo, quem amo e como sei amar.

sábado, março 28, 2009

Eternamente

Ardem-me os olhos da noite que se despede
dos sonhos que ficam, sensações à flor da pele
dias a fio pintados a tons pastel
e estremece-me o corpo no abraço que te prende.

Há na dor um desejo, uma fonte, uma sede
um cama vazia à espera, numa espera cruel,
um doce carinho, dois braços de mel,
uma vida, partilha, um olhar que entende.

Quero tocar teu corpo, sentir a paixão,
conhecer teu cheiro, arrepiar-me sem fim,
ser a tarde mais longa, eterno Verão.

Saborear, amar, sentir-te em mim
ser o teu soldado na luta, na imensidão,
a teu lado afastar quem nunca te soube assim.

sexta-feira, março 27, 2009

Aconteceu

Aconteceu
Eu não estava à tua espera
E tu não me procuravas
Nem sabias quem eu era
Eu estava ali só porque tinha que estar
E tu chegaste porque tinhas que chegar
Olhei para ti
O mundo inteiro parou
Nesse instante a minha vida
A minha vida mudou
Tudo era para ser eterno
E tu para sempre meu
Onde foi que nos perdemos?
O que foi que aconteceu?
Tudo era para ser eterno
E tu para sempre meu
Onde foi que nos perdemos, meu amor?
O que foi que aconteceu?
Aconteceu
Chama-lhe sorte ou azar
Eu não estava à tua espera
E tu voltaste a passar
Nunca senti bater o meu coração
Como senti ao sentir a tua mão
Na tua boca o tempo voltou atrás
E se fui louca
Essa loucura
Essa loucura foi paz
Tudo era para ser eterno
E tu para sempre meu
Onde foi que nos perdemos?
O que foi que aconteceu?
Tudo era para ser eterno
E tu para sempre meu
Onde foi que nos perdemos, meu amor?
O que foi que aconteceu?

quinta-feira, março 26, 2009

To really love a woman


Musica e desejo do dia... "to really love a woman to understand her, you got to know her deep inside"

quarta-feira, março 25, 2009

O meu reino por um pouco de paz

Dava o meu reino hoje por um pouco de paz. Daquela boa, que traz quentinho no peito e brilhozinho aos olhos...
Mas não... o dia ainda dói, e hoje é noite de Rachmaninoff a tocar incessantemente...

Um beijo a todas as que me seguem e me lêem. Sei que raramente respondo a comentários, mas é sempre bom sentir-vos aí.

Desculpem as nuvens, mas há dias assim... melhores virão, a começar por amanhã.

terça-feira, março 24, 2009

Sorrisos, abraços, beijos e amassos

Gosto de sorrir, gosto de brincar, gosto de ouvir os gatos a miarem. Gosto de me sentar num jardim a ver o buliço das gentes.
Gosto da chuva. Adoro o vento. Adoro a Lua.
Gosto de andar descalço na areia, não na quente, mas sim naquela junto à rebentação, fria e que dança com os dedos, embalada pela água salgada.
Gosto de beijos e de abraços. E de amassos também :)
Gosto da latitude e da longitude e de como elas me dizem onde estou.
Gosto de estar, de ser e de ficar.
Gosto de cortinados, da forma como deixam a luz entrar, entrecortada.
Gosto de ler o horóscopo do dia e sorrir com tanto disparate. Leio o meu e depois o teu. Sempre, todos os dias de manhã.
Gosto da primeira bica do dia, do amargo do café que me fica na boca.
Gosto de ficar sem fôlego com um pensamento. Uma saudade, um momento, uma palavra. Gosto de brincar com as palavras.
Gosto de estar deitado, de lado, a olhar...
Gosto de adormecer com duas almofadas. De acordar e antes de abrir os olhos ter esperança, levantar-me, olhar o espelho e dizer, é hoje!
Gosto das pequenas coisas, dos pequenos pormenores de que a Lita, tão bem fala.
Gosto das surpresas boas.
Gosto tanto de tanto, que sinceramente, o que mais gosto é mesmo de gostar de tanta coisa :)

segunda-feira, março 23, 2009

Fogueira

Danço na fogueira.
Danço na chama que me consome,
nos dedos que, enormes, tentam chegar-te.
Queimo-me na tua pele,
no teu rosto.
Beijo os lábios
doces de sol posto.
Sou tinta bamboleante,
de pincel errante, que na tela tenta desenhar-te.
Sou o verniz nas tuas unhas,
o reflexo em teus olhos.
Sou amar-te, sou ter-te,
sou um verbo que se conjuga na tua boca.
Sou a água de outrora,
o vento de leste, amargo, agreste,
o sonho que te ama na aurora.

domingo, março 22, 2009

I had a farm in Africa

Começa assim o filme que vi, não sei já há quantos anos, e que mais me marcou até hoje. Acho que me defini amorosamente por ele, e mais tarde pela história da K e do Count Laszlo Almasy.
Sempre tive uma tendência incrível para relações amorosas com propensão para o fatalismo. Acho que só se ama, quando se ama intensamente. E sim, o amor vem no primeiro olhar, no primeiro toque, na primeira palavra, na primeira imagem que se constrói dentro de nós.
Um dia, vou escrever um livro. Uma história de amor, desse amor que falo, o amor paixão, o amor arrebatador. Esse amor, não vem com os anos, aliás, com os anos, muitas vezes, esfuma-se, dando lugar ao amor amizade, amor carinho, amor hábito. É amor na mesma, mas... saudade, saudade, sentimos daquele primeiro, que nos fez ver o céu mais azul e uma oitava cor no arco-íris.
No entanto, ninguém consegue viver assim continuamente, e por isso mesmo, os filmes de que falei, retratam histórias fatais, amores de uma vida, que ficam eternamente vivos na memória até que os dias se esvaiam completamente das vidas de quem pode dizer que viveu!
As pegadas impressas na alma são indestrutíveis, li uma vez, e concordo.
Quando se ama assim, acabamos por ser injustos para quem vem a seguir. Porque sentimos sempre que esse sentimento nunca estará à altura daquele outro. Nunca voltaremos a sentir na pele o arrepio do olhar, a voz embargada por um silêncio, por uma cumplicidade. E sim, aí somos injustos connosco próprios porque não nos damos uma oportunidade.
Mas, já estou a divagar, e, o que quero dizer, é muito simples, amem! Intensamente! Repito-me de quando me intitulava de poeta, mas não me canso, amem! Sem olhar a mais nada. Sejam inconscientes! Dêem-se completamente. Vivam o amor paixão. Os outros amores, têm tempo de chegar. Não partam para a vida a dois sem o sôfrego amor.
Não quero dar lições de moral, mas sinto cada vez mais que as pessoas não se entregam, que se juntam por convenções, tradições ou, a pior de todas para mim, por questões económicas, do tipo, viver a dois permite um maior desafogo que viver sozinho. São tudo razões respeitáveis, no sentido que cada um faz as curvas como quer, mas, pensem daqui a uns anos, quando já tiverem a barriguinha crescida, ou as meninas, um peito mais flácido e as rugas a ameaçarem, acham que vão olhar para trás e sentir-se felizes? Alguns sim, sem dúvida, mas a maioria de nós, o que não daria para poder recordar, e dizer, todas as manhãs ao espelho, "eu já sei o que é o amor, a paixão".
Por isso, lutemos para sermos felizes. Ele chega sempre, se tivermos paciência para esperar por ele. Perseverança para lutar por ele. Desejo que ele venha ter connosco.
Há tantas pessoas lindas no mundo, por dentro e por fora, mas só uma encaixa na perfeição em nós. Eu quero essa perfeição, e vou lutar por ela, e vocês?

Angústia

Será que ainda me resta tempo contigo,
ou já te levam balas de um qualquer inimigo.
Será que soube dar-te tudo o que querias,
ou deixei-me morrer lento, no lento morrer dos dias.
Será que fiz tudo que podia fazer,
ou fui mais um cobarde, não quis ver sofrer.
Será que lá longe ainda o céu é azul,
ou já o negro cinzento confunde Norte com Sul.
Será que a tua pele ainda é macia,
ou é a mão que me treme, sem ardor nem magia.
Será que ainda te posso valer,
ou já a noite descobre a dor que encobre o prazer.
Será que é de febre este fogo,
este grito cruel que da lebre faz lobo.
Será que amanhã ainda existe para ti,
ou ao ver-te nos olhos te beijei e morri.
Será que lá fora os carros passam ainda,
ou estrelas caíram e qualquer sorte é benvinda.
Será que a cidade ainda está como dantes
ou cantam fantasmas e bailam gigantes.
Será que o sol se põe do lado do mar,
ou a luz que me agarra é sombra de luar.
Será que as casas cantam e as pedras do chão,
ou calou-se a montanha, rendeu-se o vulcão.

Será que sabes que hoje é domingo,
ou os dias não passam, são anjos caindo.
Será que me consegues ouvir
ou é tempo que pedes quando tentas sorrir.
Será que sabes que te trago na voz,
que o teu mundo é o meu mundo e foi
feito por nós
.
Será que te lembras da côr do olhar
quando juntos a noite não quer acabar.
Será que sentes esta mão que te agarra
que te prende com a força do mar
contra a barra.
Será que consegues ouvir-me dizer
que te amo tanto quanto noutro dia qualquer.

Eu sei que tu estarás sempre por mim
não há noite sem dia, nem dia sem fim.
Eu sei que me queres, e me amas também
me desejas agora como nunca ninguém.
Não partas então, não me deixes sozinho
Vou beijar o teu chão e chorar o caminho.

Pedro Abrunhosa

Saudade

Tenho a saudade presa nos lábios.
Sinto a tua falta.
De te ler.
De te abraçar, nos pequenos momentos,
pequenos instantes,
nos enormes sorrisos cúmplices de amantes.
Sinto a falta de me encontrar em cada verso teu
e de me deitar na certeza que o universo estava do nosso lado.
De encontrar na almofada
os sonhos que já não desejava.
Sinto a falta do teu toque,
da tua voz.
Sinto a falta do sol, em dias que, agora, amanhecem cinzentos,
sempre...
Sinto falta de ti
Sinto falta de mim
Sinto falta de nós...

sábado, março 21, 2009

Dia Mundial da Poesia

Poesia que corre em mim
rio desordenado,
restolho quente, desejo queimado.
Poesia que se encontrou em ti,
lua amada,
vento sul, deserto que sente.
Poesia que te quero,
porta entreaberta
desespero.
Poesia meu mundo,
meu caminho até ti,
desejo consumado,
pele, toque, cheiro e fado,
canção, sinfonia,
teu corpo, alegria.

Mistéééééério

Ia eu e a princesa sair de casa hoje de manhã, felizes e contentes, quando chegamos ao carro e damos com uma situação bizarra. Porta destrancada, ignição na posição 2, sem chave.... mau... pior, não só nada tinha sido roubado, como o alguém ainda deixou um escopo (utensílio de pedreiro para picar paredes) no banco de trás. Tenho cá para mim que o meu carro serviu de dormida... e esta hein?! Ah, e a bateria completamente descarregada.

Tinha lá o meu swatch, um blusão da levi's, e alguns brinquedos da pequenina, tudo intocado. Há coisas inexplicáveis. Ou sou sonâmbulo, ou há um ladrão muito simpático aqui a rondar.
Aceitam-se sugestões para explicar o sucedido.

Os teus pés

Quando não posso contemplar teu rosto,
contemplo os teus pés.

Teus pés de osso arqueado,
teus pequenos pés duros.

Eu sei que te sustentam
e que teu doce peso
sobre eles se ergue.

Tua cintura e teus seios,
a duplicada púrpura
dos teus mamilos,
a caixa dos teus olhos
que há pouco levantaram vôo,
a larga boca de fruta,
tua rubra cabeleira,
pequena torre minha.

Mas se amo os teus pés
é só porque andaram
sobre a terra e sobre
o vento e sobre a água,
até me encontrarem.

Pablo Neruda

sexta-feira, março 20, 2009

Vazio

Hoje, acordei, a cama estava vazia.
Fiz a barba, ouvi Nina Simone.
Tomei banho ao som de Nina Simone.
A cozinha estava vazia.
A sala estava vazia.
O telemóvel... silêncio.
Saí para o trabalho de alma vazia.
Voltarei, ou não...

o vazio permanece.

quinta-feira, março 19, 2009

Tenho um poema que não sai.
Um verso que não se mostra.
Uma dor que corrói, mata, destrói.
Uma alma que não encontra.
Tenho a distância a doer
e um vazio que me preenche.
Um corpo que estremece, na voz que não ouve,
na saudade que não vai,
na ausência que,
lágrima a lágrima, cai...

The closest thing to crazy



"I was never crazy on my own...
And now I know that there's a link between the two,
Being close to craziness and being close to you. "

quarta-feira, março 18, 2009

Os dias que me doem....

"Multipliquei-me, para me sentir,
Para me sentir, precisei sentir tudo,
Transbordei, não fiz senão extravasar-me,
Despi-me, entreguei-me,
E há em cada canto da minha alma um altar a um deus diferente."

Fernando Pessoa

terça-feira, março 17, 2009

segunda-feira, março 16, 2009

Eu sei que vou te amar

Eu sei que vou te amar
Por toda a minha vida eu vou te amar
A cada despedida eu vou te amar
desesperadamente vou te amar
E cada verso meu será
Pra te dizer que eu sei que vou te amar
Por toda a minha vida
Eu sei que vou chorar
A cada ausência tua eu vou chorar
Mas cada volta tua há de apagar
O que essa tua ausência me causou
Eu sei que vou sofrer
A eterna desventura de viver
A espera de viver ao lado teu
Por toda a minha vida

domingo, março 15, 2009

Excertos...


Faço-te deslizar sobre a cama, sobre os lençóis ainda amarrotados pelo ímpeto da paixão e deixo-te nua a olhares-me. Pego no pincel chinês, de pêlo de marta, e na tinta sépia e, dirigindo-me a ti, digo para te virares. Olhas-me carente e apaixonada e obedeces-me deixando a planície das tuas costas completamente a minha mercê. Sento-me junto a ti e começo a escrever, suavemente, arrepiando a pele ao toque do pincel e da tinta fria. Oiço-te gemer baixinho, na antecipação do prazer, e contrais-te quando, para escrever mais um verso, te toco a pele com a mão.
Escrevo sem parar e, a palavra sinto-te cada vez mais excitada. Perguntas-me, o que estás a escrever? Respondo-te, estou a escrever-me a mim, em ti.
Não me deixando continuar, viras-me e beijas-me, e entre tintas e pincéis, versos, poesia e palavras desgarradas, voltamos a fazer amor sob um sol que entardecia.

- Não me deixes nunca!
- Como te posso deixar, se já és parte de mim?
- Amo-te tanto...
- Sou-me em ti.

sábado, março 14, 2009

Life

it's not the meaning, it's the feeling of life that matters.

À tarde com saudade

Voa nas asas livres da gaivota
todo o meu ser revolto de saudade
voam os beijos que te dou na eternidade
os sorrisos quentes nos teus lábios, na tua boca.

Vive na noite, nas sombras da Lua,
os prazeres, desejos, que te não dei.
A terra selvagem, sem ordem nem lei,
que conquisto ofegante na pele nua.

Na certeza de te vir um dia a amar,
deixo-me ir, embalado na tarde calma,
sentimentos ao leme, sonhos no olhar.

Envoltos em calor, desejo, brisas do mar,
deitados na cama, fazendo amor com a alma,
corpos despidos, um desejo... ficar...

sexta-feira, março 13, 2009

Ne Me Quitte Pas - Nina Simone

Misterious ways

The universe has its own misterious ways...

O ano começou e trouxe um ímpeto de Primavera.
Como uma semente adormecida, irrompeu pela vida fora e nada será como dantes. Esqueceu-se do Inverno, e trouxe-nos a todos novos sentires, novos olhares, novos fazeres.
O que começou como um caminho de esperança, revelou-se apenas um meio para atingir um fim. Sem esse "pequeno" acontecimento, não se teriam desencadeado tantos outros que vieram ligar, quem sabe para sempre, almas que andavam desavindas. O universo conjugou-se numa simples pergunta, num simples pedido, numa simples ajuda de uma amiga. Sem isso, nada tinha acontecido, e as almas não se tinham encontrado.
Há no entanto almas que não se compatibilizaram e se afastaram, talvez mais por questões pragmáticas que sentimentais ou espirituais, mas a verdade é que mesmo esse afastamento foi necessário para chegarmos ao caminho em que estamos.
A água turva da agitação inicial, começa a dar lugar a uma água límpida, em que a verdade vai vir ao de cima, em que só o essencial vai ficar e tudo se definirá.
Para tudo há um razão, e tu, tu, tu e tu, vieram por uma razão. Ela revelar-se-á em breve.
Eu já encontrei a minha chave, e o portão já abriu. Falta descobrir a vossa e o papel que cada um vai representar nessa abertura.
Uma coisa é certa, os sentimentos à flor da pele, já ninguém nos tira, e caminho com a certeza que quando pensei que não podia nunca encontrar mais romantismo num momento, numa situação, a vida vem com todo o seu vigor, e mostra-me que, afinal, os dias ainda podiam ser mais quentes em pleno Inverno.

Peço desculpa a quem não vai perceber o que escrevi, mas este é, decididamente, um post com destinatários. :)

quinta-feira, março 12, 2009

Ata-me

Ata-me em teu peito,
como a amarra de um navio
presa ao cais.
De rosto na pele,
olhos fechados,
lábios húmidos,
em teus seios desejados.

Agarra-me agora,
sem pudores,
sem demora.
Despe-te nos olhos,
que de tanto te amarem,
se deleitam a ver-te.

Encontra em meu corpo,
o caminho para ti,
encontra em meu ser,
o mapa do mundo,
que escondido na noite,
no poço mais fundo,
se revela agora,
teu cada segundo.

Deixas Em Mim Tanto De Ti

A noite não tem braços
Que te impeçam de partir,
Nas sombras do meu quarto
Há mil sonhos por cumprir.

Não sei quanto tempo fomos,
Nem sei se te trago em mim,
Sei do vento onde te invento, assim.
Não sei se é luz da manhã,
Nem sei o que resta em nós,
Sei das ruas que corremos sós,
Porque tu,

Deixas em mim
Tanto de ti,
Matam-me os dias,
As mãos vazias de ti.

A estrada ainda é longa,
Cem quilómetros de chão,
Quando a espera não tem fim,
Há distâncias sem perdão.

Não sei quanto tempo fomos,
Nem sei se te trago em mim,
Sei do vento onde te invento, assim.
Não sei se é luz da manhã,
Nem sei o que resta em nós,
Sei das ruas que corremos sós,
Porque tu,

Deixas em mim
Tanto de ti,
Matam-me os dias,
As mãos vazias de ti.

Navegas escondida,
Perdes nas mãos o meu corpo,
Beijas-me um sopro de vida,
Como um barco abraça o porto.

Pedro Abrunhosa

terça-feira, março 10, 2009

Excertos...

"Eu sei do que falas. Queres saber se o meu cheiro é o perfume com que sempre ansiaste, se o meu corpo encaixa perfeitamente no teu, se o meu rosto tem a perfeição a teus olhos de um quadro pintado por uma alma anónima. Queres saber se te prolongas em mim e se depois de me tocares nada mais vai ser como dantes e tuas mãos não serão mais as mesmas se não tiverem em si a minha pele. Eu sei do que falas, também o sinto..."

segunda-feira, março 09, 2009

domingo, março 08, 2009

Loucura

São sempre poucas as palavras
sempre poucos os minutos
sempre poucas as promessas...

És-te em mim... sou-me em ti...

o destino seremos.

sábado, março 07, 2009

A mulher

Cada mulher um mundo
um desejo
um querer.
Cada mulher um segundo,
uma flor,
um beijo
um aceitar para além do entender.

Que neste 8 de Março não escorra uma única lágrima no rosto de qualquer mulher.

Excomunguemos a Igreja

Que a Igreja Católica Apostólica Romana está cheia de parolos, já todos sabemos. Muitos de nós já o sentimos de perto. Mas acho que se foi longe demais. No Primeiro Jornal da SIC, hoje, dia 7 de Março de 2009, em pleno século XXI, foi noticiado o seguinte, uma criança de 9 anos, grávida por violação do padrasto, foi excomungada, bem como os seus pais, por ter efectuado um aborto. Mais, a equipa médica, levou pela mesma medida e também foi excomungada. Para os mais leigos passo a explicar com um exemplo prático, esta criança, um dia mais tarde, não poderá vir a casar, por igreja, por ter interrompido uma gravidez fruto de uma violação.
Relembro a idade, 9 anos...
O violador, esse, não foi excomungado...

Eu, acredito em Deus, acredito na mensagem de Jesus Cristo. Acredito no amor, no perdão, no dar a outra face. Acredito que podemos ser sempre melhores e que assim influenciamos quem nos rodeia. Mas, recuso-me a ser considerado parte desta Igreja.

The kingdom of god is within you and not around you... e cada vez tenho mais a certeza disso.

sexta-feira, março 06, 2009

Only when I sleep - The Corrs

You're only just a dreamboat
Sailing in my head
You swim my secret oceans
Of coral blue and red
Your smell is incense burning
Your touch is silken yet
It reaches through my skin
And moving from within
It clutches at my breast

But it's only when I sleep
See you in my dreams
You got me spinning round and round
Turning upside-down
But I only hear you breathe

Somewhere in my sleep
Got me spinning round and round
Turning upside-down
But its only when I sleep

And when I wake from slumber
Your shadow's disappear
Your breath is just a sea mist
Surrounding my body
I'm workin' through the daytime
But when it's time to rest
I'm lying in my bed
Listening to my breath
Falling from the edge
But it's only when I sleep

Um sexto sentido...

Há em mim um sexto sentido que agrupa todos os outros e se revela em ti. Um sentido em que és cheiro, olhar, toque, sabor e suave melodia. Em que despertas todos os pontos mais sensíveis do corpo que reage invariavelmente a ti.
Um sexto sentido, um novo sentir...
Quero escrever a palavra que o defina e ela não me sai. Percorro o dicionário e nenhum termo é suficiente para descrever o que sinto, o que sentimos. Não é só amor, não é só paixão, não é só encantamento, não é só desejo. É tudo isso, mas é muito mais. Tem corpo. Tem gosto. Tem forma e poderes escondidos. Tem alma porque anseia e dedos que se formam nos desejos. Tem a saudade do que ainda não veio e a verdade do invisível essencial.
É a palavra, o sentir, o sentido mais completo. É a verdade, a certeza, a busca e o encontro.

O sexto sentido, o nosso sexto sentido, é isto e tanto mais....

quarta-feira, março 04, 2009

Filho do vento

Na bruma da manhã, depois da noite em que sempre me encontro, sou um ser renovado. Dia após dia o encantamento repete-se. Sou o filho do vento e da lua, nascido numa noite de Inverno. Herdei de meu pai, o vento, a inconstância, a semente errante, o improviso e os beijos roubados de lábios distraídos. A força da tempestade e a doçura da brisa, é-me genético como a cor dos olhos que o destino quis verdes.
Minha mãe, a lua, deu-me a subtileza de uma noite de lua cheia. A beleza do luar de Janeiro, frio, distante, mas surpreendentemente aconchegante. Sou as suas fases, os seus opostos. Sou cheio, sou novo, e sou quartos. Sou um constante nascer depois de um poente, a saudade que fica dos dias de sol, do quente na pele. Sou o mistério e as sombras da noite que ocultam sempre algo desconhecido. Um mistério constante, uma névoa que esconde, um cantar de coruja na escuridão.
Sozinho, na noite do luar mais longo do ano, nu, no precipício sobre o mar revolto, abro os braços, e deixo o vento embalar-me e levar-me para longe, a voar, para junto do sonho, para junto de ti.

segunda-feira, março 02, 2009

Eu...

eu...

sou muito mais do que aquilo que escrevo
sou olhos
voz
corpo
e cheiro.
Sou Deus e pecado,
sonhos desfeitos,
amores perfeitos,
eternamente tido e abandonado.

domingo, março 01, 2009

Não chores...

Sentada na areia, de frente para o mar, choras quase sem esforço. As lágrimas que tantas vezes deambulam pela alma, encontram finalmente os olhos e cavam rios no teu rosto. As ondas batem nas rochas, deitam-se na areia e tu, já sem forças, deixas-te tombar, sentindo o frio dos milhões de partículas que o mar levou anos e anos a separar.
Não chores, digo-te eu. Pego a tua mão, puxo-te para mim e abraço-te.
Não chores e encho-te de beijos e de sorrisos.
Não chores e pego-te ao colo e levo-te dessa praia de tristezas.
Não chores e em silêncio, olho-te, beijo-te e repito, não chores...

Túnel secreto

Há, da minha alma para a tua,
um túnel secreto.
Sem mapas, sem caminhos.
Só existe à luz da Lua,
no amor sentido e concreto,
nas tardes quentes
de poemas sem ninho.

De noite,
nas sombras do luar,
o túnel é o nosso refúgio,
o nosso encontro,
o nosso porto de abrigo,
e carentes, despidos,
em amantes vagas se entregam as almas.

És a lua
que em meus olhos se pinta nua.
Sou o sol
que quente te invade.
Somos astros celestes,
altivos ciprestes,
que no dia se encontram
e de noite se amam.

sábado, fevereiro 28, 2009

Mamma mia

Hoje estou completamente Mamma Mia. Só me apetece cantar, dançar e rir.
Estou estupidamente feliz. Vejo alegria em todo o lado.
Quem me vir, perguntará se estou apaixonado, eu responderei com o meu mais enigmático sorriso :)

É tão bom sentir!!! Vá quero toda a gente a sorrir. Aqui pelos Algarves o sol brilha, o tempo está maravilhoso e apetece sair e viver.

What are you waiting for?
A2 direcção sul!!!! :)

Beijos e bom fim de semana.

Just the Way You Are

Don't go changing, to try and please me
You never let me down before
Don't imagine you're too familiar
And I don't see you anymore
I wouldn't leave you in times of trouble
We never could have come this far
I took the good times, I'll take the bad times
I'll take you just the way you are

Don't go trying some new fashion
Don't change the color of your hair
You always have my unspoken passion
Although I might not seem to care

I don't want clever conversation
I never want to work that hard
I just want someone that I can talk to
I want you just the way you are.

I need to know that you will always be
The same old someone that I knew
What will it take till you believe in me
The way that I believe in you.

I said I love you and that's forever
And this I promise from the heart
I could not love you any better
I love you just the way you are.

sexta-feira, fevereiro 27, 2009

Dreaming...

De olhos fechados, a água quente escorre-me pelo corpo. Sinto o morno das tuas mãos a tocar-me. Mantenho os olhos fechados e recordo o sonho que na noite que terminou há pouco me fez companhia.
Tu sorrias, e eu, como sempre, não me calava um segundo. A felicidade revelava-se no teu sorridente silêncio e na minha verborreia nervosa.
Eu, encontro refúgio nas palavras quando não sei o que dizer, e tu, com os teus olhos, também eles sorridentes, só me dizias, amo-te. Eu via nesses olhos o amor e falava ainda mais.
Sinto medo do nosso amor, até nos sonhos em que nos libertamos de convenções sociais e merdas do dia a dia que só nos tentam afastar.
No momento em que me calei, beijei-te. Sei que o desejavas tanto quanto eu, e toquei suavemente o teu rosto. Não queria acreditar que estava mesmo a acontecer. Tu, com a tua voz de anjo, doce de quem estava a descobrir finalmente o amor e a paixão, dizias que tinhas medo. A cada vacilar teu, beijava-te com mais certezas e tu deixavas-te ir...
Nos sonhos tudo acontece e o tempo não segue as regras a que estamos habituados. Muitas vezes nem existe, e o flash seguinte que recordo,é que estávamos deitados, nus, irrequietos, e dançávamos entre os lençóis de uma cama desconhecida. As mãos curiosas percorriam os nossos corpos e os dedos entrelaçavam-se na esperança de não se voltarem a separar.
As nossas respirações ofegantes, os nossos corpos colados, transpirados, com sabores de paixão que as nossas línguas provavam, milímetro a milimetro.
O teu gemer de prazer ainda ecoa na memória de um sonho que desejo voltar a ter esta noite. Um sonho que desejo realidade.

Acordei e olhei para o lado, a ver se lá estavas. Passei a mão pelo lençol, e este estava frio. Foi um sonho, pensei. Mas agora, debaixo deste chuveiro de água morna, sinto ainda o calor de te ter amado na madrugada.

Iris - Goo Goo Dolls

And I'd give up forever to touch you
Cause I know that you feel me somehow
You're the closest to heaven that I'll ever be
And I don't want to go home right now


And all I can taste is this moment
And all I can breathe is your life
Cause sooner or later it's over
I just don't want to miss you tonight


And I don't want the world to see me
Cause I don't think that they'd understand
When everything's made to be broken
I just want you to know who I am


And you can't fight the tears that ain't coming
Or the moment of truth in your lies
When everything seems like the movies
Yeah you bleed just to know your alive

quarta-feira, fevereiro 25, 2009

Breve

Breve
tão breve te vais.
Cedo o sol nascerá
e as horas teimarão em não passar.

Este relógio que trago comigo não me fala.
Não tem horas para mim.
Só demoras.

Deixei de saber contar por ti.
A seguir ao um, vem o um,
e de segundo em segundo, tudo somado,
o resultado é nenhum.

O tempo não passa,
a chuva molha,
o destino não se decide...

terça-feira, fevereiro 24, 2009

Amizade intemporal

Sem saber bem como, o universo voltou a unir-nos. Se alguma dúvida existia de um dia já termos estado juntos, o jantar dissipou-as, o carinho do abraço diluiu-as.
Sei que já te conhecia, sei que já lutamos num tempo passado lado a lado. Sei que já fui o teu apoio e tu o meu, sei que já foste minha irmã, sei que o vais voltar a ser.
A paz, o à vontade, o fluir natural de energias, o sinal na maneira de ser de uma criança, reforça aquilo que as letras já nos tinham garantido. Isto não é de hoje, vem de trás, de há muitas vidas atrás.
Os seres de luz atraem-se e por alguma razão, esta vai ser mais uma vida em que vamos estar em contacto. Como falámos, ainda não percebemos o porquê, mas será que realmente interessa? Só sei que estou feliz e que desde que te conheci muito mudou na minha vida, e o teu abraço, a tua amizade são já e serão sempre uma grande força.

A ti, ser de luz, desejo-te aquilo que sei que me desejas, uma eterna felicidade, e sei que contigo como minha "irmã", ela estará sempre mais perto de ambos.

Passeio de bicicleta

Amanheci estremunhado. Não me sentia em mim, estava algures, longe, muito longe. O convite surgiu por msn. Um passeio de bicicleta pelo parque natural da ria formosa. A preguiça ainda me fez vacilar, mas passar um dia lindo enfiado em casa, not a good idea...
E assim foi, uma tarde bem passada, em comunhão com a natureza e em amizade, com a S., a T. e a C.
Tirando os pequenos contratempos, serviu para finalmente recomeçar as minhas saídas de bicicleta, postas em stand by desde o Verão.
E foi assim a minha tarde, divertida, especial, e muito refrescante. Pena a aterragem forçada da C., que resolveu experimentar as maravilhas do mergulho para a terra... mas, muito betadine depois, tudo está ok :)

Há, no entanto aquela permanente vontade de estar contigo... o desejo constante de partilhar estes momentos contigo. Um dia talvez...

segunda-feira, fevereiro 23, 2009

Quero apenas cinco coisas

"Quero apenas cinco coisas..
Primeiro é o amor sem fim
A segunda é ver o outono
A terceira é o grave inverno
Em quarto lugar o verão
A quinta coisa são teus olhos
Não quero dormir sem teus olhos.
Não quero ser... sem que me olhes.
Abro mão da primavera para que me continues a olhar."

Pablo Neruda

Queres?

Queres?
Sorrir a dois e matar o desejo?
Queres lamber as feridas, profundas, antigas,
e abraçar-me a alma, que de te ter se acalma?
Queres esquecer o presente?
Queres ver o porquê, de tanta saudade?
Queres que te diga ao ouvido,
que meus dedos despidos,
só encontram verdade quando, entrelaçados no teu cabelo,
te puxam para mim
e te beijo assim apaixonado.
Queres que te abrace e te faça lembrar,
que os dias não têm que ser
a prisão em que amordaçada prescindes de viver?
Queres ser minha?
Eu serei teu, como já o sou em sonhos,
em dias compridos,
semanas esquecidas,
em que vagueio.
Amante irresponsável do sentir,
sou a dança que te espera!
Quero-te hoje, aqui,
na verdade que se desprende das horas,
no beijo que tanto demora,
e se forma em meus lábios,
sempre que bebo um pouco mais de ti.

num futuro incerto,
num poema deserto,
tão longe e tão perto,
consigo tocar-te?

sábado, fevereiro 21, 2009

Princesa

Princesa,
teus lábios cereja,
olhos amêndoa,
desejo contido, num olhar que troveja.

Cabelo de mar,
toque de areia,
o meu corpo despido,
que em ti se semeia.

Princesa, teus braços,
teus seios, teu rosto,
tua língua suave,
meu vinho encorpado,
delícia, meu mosto.

Pele de neve,
branca imaculada,
tortura sangrenta,
consome, atormenta,
loucura que se quer consumada.

Princesa teu beijo,
em noites de prazer,
nos meus sonhos te toco,
me encontro,
sou louco,
e me dizes ao ouvido,
faz-me mulher.

A voz

A voz
doce, quente, amante, carente.
A voz
sentida, ouvida, de noites despida
A voz
que embala, assusta, acalma.
A voz
que hoje quero,
sede insaciável, desespero.
A voz
que é tua,
no sorriso meu,
espelhos de mar,
reflexos de céu.

quinta-feira, fevereiro 19, 2009

Confusão Mental

Os beijos que te dou são como a estrada.

São vias rápidas sem paragens ou zonas de descanso.

Os sorrisos que cativas têm certezas,

mas ainda vivem sós nestes lábios.

Andam à procura dos teus.

Mapa desordenado, de estradas, caminhos e buracos,

semáforos intermitentes que não me querem deixar sentir.

Confortável esta paragem de autocarro em que espero por ti.

quarta-feira, fevereiro 18, 2009

Deixa-me olhar

Para alguém que sabe realmente o que é sentir e fazer sentir...

terça-feira, fevereiro 17, 2009

Brown Sugar

Adoro o castanho, sempre foi a minha cor. Faz-me lembrar o outono e as folhas a revoltarem-se com o vento. Lembra-me as vozes interiores que tantas e tantas vezes temos que calar. Como a chuva que nessa estação vem aos repelões, querendo ficar mas com medo de se impor.
Frequentemente nos limitamos na vida que levamos. Por medo, incerteza, ou insegurança, deixamos os dias correrem, e estes transformam-se em semanas, meses, anos, e quando queremos dar o grito estamos demasiado enredados na teia que deixámos e ajudámos a tecer à nossa volta, tudo se complica.
A maioria das vezes, há terceiros envolvidos, o que ainda dificulta mais, e a nossa reacção é, compreensivelmente, não a ter.
Também eu já vivi assim. O que fiz? Nada, deixei andar. Engoli lágrimas, recalquei sentimentos, forcei situações e momentos especiais. A frustração toma conta de nós quando tentamos sentir o que não sentimos. E a frustração é o pior que podemos sentir por nós próprios.
A situação acabou por se resolver por si, mas sem que para tal eu tenha contribuído, a não ser com a tristeza constante que os meus olhos sempre se negam a esconder, quando a alma a sente.
Por isso, deixo-vos um conselho, que até para mim é, muitas vezes, difícil de seguir, quando não estão felizes, lutem, e voltem a lutar, mas se a felicidade parece estar noutro local, acompanhado ou sozinho, tomem decisões!
Não esperem que a vida as tome por vocês.

Os caminhos nunca são fáceis. E mesmo aquele que parece mais feliz, pode demorar a chegar, mas se ao menos tentarmos, se dermos ao universo a oportunidade de conspirar um pouco por nós, tudo se torna mais fácil, tudo tem mais sabor, tudo se torna um novo horizonte. E mais, encontramos sempre, mais cedo ou mais tarde, quem nos dê a mão, o ombro e o sorriso para nos ajudar a trilhar esse caminho.

Ousem, sonhem, vivam! Com respeito por todos, mas principalmente com respeito por vós próprios, pelos vossos sentimentos, que são sempre o mais puro destino que podemos seguir.

Quando sentimos que sentimos, não o seguir será sempre a nossa maior traição.

Eu vou ousar, sonhar, viver, e para viver é preciso sentir.

Living on my own

Chega de lamúrias por viver sozinho. É verdade que me sinto triste por nem as gatas poder ter aqui, mas sabe tão bem chegar a casa e estar tudo tal e qual a deixei... Hummmm sabe tããããão bem :D

segunda-feira, fevereiro 16, 2009

Por volta da uma e meia...

Há uma magia que me rodeia um pouco depois do meio-dia.
Há uma e meia, um relógio sorri, o sol fica mais quente, o céu mais azul,
e as gaivotas em bandos
confundem norte com sul.
Por volta da hora
dos beijos, carícias,
amores trocados sem medos sem fados
pela tarde fora.
Corações despidos,
desejos à solta,
nas tardes que entardecem,
nas mãos que se tocam e em teias se tecem,
na volta das voltas,
na noite que cai,
na tua partida
em abraço te digo
quem sente, nunca vai...

domingo, fevereiro 15, 2009

Whispering in your ear...

Somewhere somehow
Under the skies above
Sweeping shadows
Pushing away all sorrow
In a wild wild fantasy
River crossing
On the most foolish way to be

Peacefully i surrender
On our way to the afternoon
Regarding the sun, wishing for the moon

Twist of fate, a smile out of the blue
In this cold life, i wish, i wait for you...

sábado, fevereiro 14, 2009

Os verdadeiros namorados

Enviei este sms hoje, no dia de todos nós, a uma pessoa especial. Vou partilhar convosco, esperando que ela não leve a mal, pois melhor que qualquer outro tipo de post é o que realmente sinto.

"Sozinhos, com alguns momentos de fraqueza, mas sempre a viver na esperança. Nós somos os verdadeiros namorados, os que não desistem da busca pela felicidade e acreditam no matter what no amor. Um beijo"

Por mais partilhado que o amor tenha que ser, para o ser realmente, nós, os que não têm com quem o partilhar, também o sentimos.

O sol quando se espelha no mar pela manhã é para todos.

Eu acredito.
Tu acreditas.
Nós acreditamos.

quinta-feira, fevereiro 12, 2009

Faraway from me...

and yet, so close....

A paixão segundo a paixão

Eu, paixão, me confesso.
Pecadora que de loucura se alimenta.
Tentação doce,
Fermento,
Mundo que gira em torno do momento.
Força que sustenta
Mão que aperta,
Nos dedos alheios entrelaça,
Corpos singulares que se unem em plural.

Eu paixão que acordo,
Desperto,
Sufoco.
Sou chave e fechadura,
Ponte, estrada, caminho.
Sou o longe
Sou o perto
Foz de rio, alto mar,
Suor, desejo, carícia e beijo.
Sou paixão loucura
Saudade e ternura.

Abaixo assino,
Pecadora confessa,
Sou mais que promessa,
Sou casa e lar
Para quem vive e quer amar.

terça-feira, fevereiro 10, 2009

Always on my mind

The sun may shine
The rain may fall on this cold winter day,
but inside me
there's a never ending smile
'cause even though you're so far away,
you are always on my mind
always so close.

segunda-feira, fevereiro 09, 2009

Sunday Monday

O meu fim de semana foi, definitivamente, especial.
O primeiro na casa nova com a filhota.
Voltámos a estar sem pressas e sem viagens de três horas, sem mais ninguém por perto. Tivemos os nossos timings, os nossos passeios, as nossas pequenas aventuras, as nossas partilhas, os nossos jogos, as nossas zangas, as nossas pazes.

Não há ninguém no mundo que mereça mais que ela tudo o que faço.
As mulheres vão e vêm, como as ondas. Umas com mais força, outras com menos. Umas deixam algo que valha a pena, outras só uma memória longínqua, mas da areia de que sou feito, todas levam um pouco.

Ontem foi também o dia em que encerrei definitivamente um capítulo e, sabem o que tem de melhor o fim de um capítulo? É que a seguir vem sempre uma nova página....

domingo, fevereiro 08, 2009

"Kate and Leopold"

Kate: I'm not very good with men.

Leopold: Perhaps you haven't found the right one.

Kate: Maybe. Or, uh... maybe that whole love thing is just a grown-up version of Santa Claus; just a myth we've been fed since childhood. So, we keep buying magazines, joining clubs, and doing therapy and watching movies with hit pop songs played over love montages all in a pathetic attempt to explain why our love Santa keeps getting caught in the chimney.

E o filme devia ter terminado por aqui. Não seria filme, seria vida real...

A felicidade, conceito vago...

A felicidade que esperava construir tarda.
Ontem a noite, à minha frente numa fila para comprar pizza, um casal trocava carícias. Estavam juntinhos, bem junto um ao outro, falavam ao ouvido e, quando ela se ausentou para ir à casa de banho, deu-lhe um beijo, pequeno mas com tanto significado. Acredito que ele tenha sentido a perfeição naquele momento, eu senti-la-ia.
É destes momentos que sinto falta! Das pequenas coisas, das partilhas, dos segredos, o cinema, do acordar…
Quando alguém está sozinho, a tendência é sempre ter pena por essa pessoa estar privada das relações sexuais. Que erro tão grande…
O que mata por dentro quem está só é a falta de carinho, de amor. Tentar superar essa falta com relações fortuitas não funciona, só nos faz sentir pior connosco próprios.
Os amigos e as amigas, coloridos ou não, enchem uma boa parte do nosso… tempo. O resto, combustível de que necessitamos para os dias frios, não se encontra na companhia dos amigos, nem da família nem dos amantes. Está na pessoa com quem queremos realmente estar, com quem nos sentimos bem, que faz tudo parecer perfeito. Essa pessoa, seja ela real ou apenas ainda um sonho, faz valer a pena a espera nos momentos em que não podemos estar com ela.
Acordei hoje a sinto-me a resvalar. Entre um e outro sorriso, vou enganando o mundo que me rodeia. Com o trabalho vou preenchendo os dias que me cansam e fazem adormecer cedo. Mas, na noite profunda, vêm os sonhos descontrolados e põem a nu tudo o que sinto.
Estou farto deste dia-a-dia sem sentido.
Quero chegar a casa e ter alguém para quem cozinhar.
Quero esquecer o computador ao serão.
Quero ler uma parte interessante de um livro e ter alguém do meu lado com quem a partilhar.
Quero discutir e fazer as pazes.
Quero dormir só de um lado da cama.
Quero as pequenas coisas, todas! Aquilo que preenche os espaços de uma vida que sempre foi aos bocados.
Quero… (infinito).

sábado, fevereiro 07, 2009

Sonho

Acho-te sensual de pijama e rabo-de-cavalo.
Excita-me olhar para as tuas verdadeiras curvas. Sem artifícios, sem soutiens push up ou calças de ganga da Salsa. Adoro o teu peito de mulher, os teu braços longos e as mãos que usas em tanta coisa durante o dia e me amam de noite.
Adoro o abrandar da tua voz à medida que a noite chega ao teu corpo, o cansaço de instala e lentamente me pedes com os olhos que te abrace.
Deitada a meu lado, estudas algo numas folhas cheias de rabiscos quase imperceptíveis. Os teus olhos, que correm a toda a velocidade desde que acordas, que parecem querer absorver cada instante da vida que passa, cada segundo, cada situação, começam a semi-cerrar-se.
Fecho o livro que estou a ler, tiro-te as folhas das mãos e beijo-te. Quando os meus lábios tocam os teus, beijas-me com um sorriso. O melhor beijo que alguma vez senti. O beijo da felicidade.
Sem qualquer palavra, despes-te toda. Sem pudores, sem vergonhas que te afastem de mim, estás nua de rabo-de-cavalo à minha frente. Quero-te! Dizes-me.
Saio da cama, agarro-te, encosto-te à parede fria. Beijo-te, toco-te, percorro todo o teu corpo com a minha língua. Saboreio as pequenas gotas de suor que se libertam conforme o teu corpo aquece ao meu toque.
Seguras-me a cabeça com a mão, embrenhando os dedos no meu cabelo, gemes, arrepias-te e tocas-te no peito com a outra.
Excita-me excitar-te. A minha barba curta, roça-te a pele das coxas como se fossem milhões de pequenos dedos a tocar-te enquanto a minha língua te invade.
Pedes-me para não parar e entre um gemido e outro, sinto o teu corpo em saborosas contracções. Subo os meus dedos até ao teu peito e sinto os mamilos rígidos. Ergo-me, beijando cada centímetro de pele até à tua boca, onde me perco num beijo apaixonado e te mordo suavemente os lábios.
Estou completamente excitado. Viro-te, encosto-te contra a parede e, com o meu peito nas tuas costas, a minha respiração no teu pescoço, os meus dedos na tua boca, entro em ti. Sinto-te completamente húmida e sabe-me tão bem.
Os teus gemidos são agora gritos, não demasiado altos, excitantes, provocantes, que me fazem ficar também eu cada vez mais excitado. Sinto que te invado completamente. A cada movimento vou cada vez mais fundo, não há parte de ti que não toque e quando o faço, acompanhas-me com ais, e mais e mais e mordes-me os dedos e tentas chegar com a mão para me puxar ainda mais para ti.
Nesta dança orgásmica perco a conta às vezes que te contrais e estremeces, que te calas e voltas a gritar.
No passo final da dança, no momento em que sou eu que não me contenho mais, que grito e gemo e dou, tudo pára. Tu calas-te, eu calo-me, os corpos parados, as mãos na parede, eu dentro de ti.
Entre saliva e suor, fluidos e amor, acordo.
Isto foi o que sonhei. Acordado ou a dormir, tanto faz. Eras tu, era eu, éramos nós.

A continuação....

As Imensas Planícies vão continuar.

O poeta como tinha dito, acabou. Morreu, não voltará mais. A partir de agora quem escreverá aqui serei eu.

Sensitivamente, apaixonadamente, intensamente, mantendo a essência do homem por detrás da máscara, peço-vos que me acompanhem nesta nova jornada.

Hermes

terça-feira, fevereiro 03, 2009

FIM

O caminho do poeta chegou ao fim.
Desde Novembro de 2005, encerrei em cada texto, imagem ou vídeo publicados, o que de mais profundo havia em mim. Nunca preparei a poesia que aqui viram e escrevê-la foi para mim um exercício de auto-conhecimento que teve durante este período uma extrema importância no meu dia-a-dia.
Mas tudo tem um fim.
Este blog ficará activo para quem quiser vir ver quem fui. Daqui para a frente não o serei mais. Ser sensível, romântico, dedicado, atencioso, só me tem feito mal, tanto ao A. como ao poeta. Poderei mesmo afirmar que o poeta está ferido de morte e não acredito que alguma vez volte.
Não vou agradecer tudo o que me escreveram, comentaram, disseram. Digo apenas que deixaram muito de vós em mim.
Tudo o que aqui escrevi sobre sentimentos é o que sinto, pelo menos por enquanto. Cada vez mais, aquilo que digo, o valer a pena viver perdidamente de amor, sinto que acredito menos.
A cada chapada da vida vou acordando mais um pouco, e o homem banal começa a instalar-se em mim, afinal de contas é tão mais simples ir com a correnteza do rio. Remar contra a corrente, para quê?
Haverá mesmo alguém que nos valorize por sermos assim diferentes? Será que esse valor que nos diz dar, tem efeitos práticos?
Quando nos dizem que não existimos, isso é algo bom ou mau? Estarão as pessoas preparadas para aceitar alguém diferente? Dispostas a amá-lo por tudo aquilo que alguém as faz sentir e que nunca tinham sentido?
A minha alma não é pequena, mas cada vez menos concordo com o Pessoa.

O mal de quem se apaixona é que acredita. Eu acreditei. Lutei. Mostrei-me, de uma forma que nunca tinha feito. O resultado? O mesmo de sempre. Tal como de muitas outras vezes estou sentado em frente ao pc a despejar letras no desejo de me compreender de uma vez por todas e perceber onde está o erro. Nunca o encontro. Nunca percebo o que realmente falha em mim. Acho que serei sempre o eterno amigo, aquele que nunca chega para mais. Aquele que tem tudo mas que não chega. O que toca a alma mas não desperta os sentidos. Sim, decididamente a falha tem que estar em mim.
São anos demais, pessoas demais, relacionamentos demais para que a falha não seja minha.

Não sei se o blog vai continuar, ou se vou fazer aquilo que a maioria faz, um blog cheio de nada com textos cheios de coisa nenhuma.
Uma coisa sei, neste momento vou para a minha concha. De onde não pretendo sair, de onde cada vez me é mais difícil sair.
Os olhos já não choram, a alma já não sofre. Até o vazio que senti toda esta noite, desapareceu.
Não vou mais voar, não vou mais sonhar, não vou mais iludir-me. As palavras vão ser guardadas a sete chaves e a chave atirada ao mais fundo poço.

Hoje o poeta não existe mais.
Hoje será um eterno amanhã.

Armando

em meu peito...

Agoniza em meu peito um amor que não nasceu
Dormem em meus lábios as palavras que te não disse
Bamboleiam searas no vento que te levei
No ar que te não deixei
No fresco que breve se perdeu.

Nunca te contei o meu maior segredo.
O que guardei e fingi não ver,
que arde, queima, faz doer.
Que me traz memórias, sonhos perdidos,
Castelos caídos
Fábulas, lendas e histórias.
Nunca conseguiste ver que, guardado bem no fundo
do bolso deste casaco, se esconde um mundo
E também eu tinha medo.

Temo a noite agora,
aquela que outrora me fazia sonhar.
Escondo-me de novo no canto,
sinto de novo o mesmo frio.
O rosto não disfarça o regresso do sorriso vazio.

A felicidade tal como o rio,
acaba por desaguar e se diluir.

segunda-feira, fevereiro 02, 2009

True, so true...

De tudo o que li, acho que nada descreve melhor o sentimento de despedida...

James Blunt

GoodBye my lover

Did I disappoint you or let you down?
Should I be feeling guilty or let the judges frown?
'Cause I saw the end before we'd begun,
Yes I saw you were blinded and I knew I had won.
So I took what's mine by eternal right.
Took your soul out into the night.
It may be over but it won't stop there,
I am here for you if you'd only care.
You touched my heart you touched my soul.
You changed my life and all my goals.
And love is blind and that I knew when,
My heart was blinded by you.
I've kissed your lips and held your head.
Shared your dreams and shared your bed.
I know you well, I know your smell.
I've been addicted to you.

Goodbye my lover.
Goodbye my friend.
You have been the one.
You have been the one for me.

I am a dreamer but when I wake,
You can't break my spirit - it's my dreams you take.
And as you move on, remember me,
Remember us and all we used to be
I've seen you cry, I've seen you smile.
I've watched you sleeping for a while.
I'd be the father of your child.
I'd spend a lifetime with you.
I know your fears and you know mine.
We've had our doubts but now we're fine,
And I love you, I swear that's true.
I cannot live without you.

Goodbye my lover.
Goodbye my friend.
You have been the one.
You have been the one for me.

And I still hold your hand in mine.
In mine when I'm asleep.
And I will bear my soul in time,
When I'm kneeling at your feet.
Goodbye my lover.
Goodbye my friend.
You have been the one.
You have been the one for me.
I'm so hollow, baby, I'm so hollow.
I'm so, I'm so, I'm so hollow

domingo, fevereiro 01, 2009

Encantamento vs Paixão vs Amor

O que é o encantamento? O que é a paixão?
As relações amorosas são sem dúvida as relações mais complexas que experimentamos durante a vida. Os sentimentos são, por si só, uma confusão em que desejamos andar sempre mergulhados.
Alegoricamente acho que tudo se pode ver como um exercício de natação. Quando estamos à beira da piscina, na puberdade, não sabemos bem o que vamos encontrar ao nos relacionarmos. Queremos entrar mas temos medo. E se nos afogarmos? E se a água estiver fria demais e não conseguirmos aguentar e tivermos que sair à pressa? É a altura das dúvidas sem qualquer tipo de certeza.
Depois, quando já experimentámos a água, não paramos de saltar. O pós adolescência. É experimentar novas formas de mergulho, ver quanto tempo aguentamos a boiar, quanto tempo conseguimos suster a respiração debaixo de água, é a altura das relações inconsequentes. Fazemos porque queremos, nada mais interessa.
Quando chegamos à fase adulta, não queremos mais exercícios de loucura. Queremos nadar. Entrar vagarosamente na piscina, nadar, desfrutar a temperatura da água, sentir a sua envolvência, a forma como chega a todos os pontos do nosso corpo, o prazer ao fim ao cabo.
Muitos de nós, ficamo-nos por aqui. E assim nadamos toda a vida. Muitos acabam por se afogar e mais não fazem que ficar a boiar até que alguém os venha retirar da letargia. Muitos nem querem sair da letargia.
Há, no entanto, quem, esteja a nadar ou à beira da piscina e comece a olhar para as pranchas de saltos. O desafio é um motor muito forte do ser humano. Há quem não resista e arrisque e há quem se fique pela intenção. O risco é sempre grande, nunca sabemos se daremos um bom salto, mas se assim acontecer, quem ousou experimenta emoções e sensações que aos outros pouco ou nada dizem.
Ora, e como o texto já vai longo e amanhã é dia de trabalho, chegamos então ao cerne da questão, o encantamento vs paixão vs amor.
Quem nunca se atrever a subir à prancha, nunca passará do encantamento. É bom para achocalhar o dia-a-dia mas totalmente inconsequente em termos de felicidade.
Quem ousa subir à prancha e saltar, conhecerá a paixão, o fogo dos sentidos. É sem dúvida o sentimento que mais vale a pena. O momento da subida à prancha, a antecipação do salto, o mergulhar no vazio, a descida vertiginosa.
O mais difícil e para muitos inatingível é o amor. É o salto perfeito, a pirueta completa, o mergulho olímpico. Nasce no encantamento, floresce na paixão e toma raízes. É o nadar envolto na água da vida depois do salto sublime. É o não querer sair nunca da piscina.

Por isso meus lindos e lindas leitore(a)s. Em que fase de relacionamento amoroso estão agora?
Encantamento vs paixão vs amor. Ou apenas numa letargia constantemente irritante? Se sim, como sair dela? Quererão mesmo sair?
Mudar é algo que custa mais que qualquer outra coisa nesta vida. É preciso força, vontade, sentido de oportunidade, perseverança e, sem dúvida alguma sorte. Mas é tão bom mudar…. É sem dúvida aquela estrada cheia de buracos que nos leva a um sítio lindo, único, onde podemos ver o horizonte de uma forma completamente diferente.

Boa semana a todo(a)s

sexta-feira, janeiro 30, 2009

Born to Try

I've learned to love
Be understanding
And believe in life
But you've got to make choices
Be wrong or right
Sometimes youve got to sacrifice the things you like

Eros e Tanatos

Conhecia bem a noite. Fora nela que vivera toda a sua vida, nela aprenda a ver na escuridão, a encontrar a média, por vezes inexistente, luz, as cores do arco íris. Tinha sido feliz dessa forma.
Quando as janelas não se abrem, aprendemos a jogar com as sombras, a sorrir com os sons, a conversar com os cheiros. As frestas eram sempre a melhor altura do dia. Ansiava pela hora em que, embaladas por uma força quase divina, as partículas, pequenas, minúsculas, ínfimas, de luz o beijavam no rosto.
Então, percorria todo o pequeno espaço atrás do feixe que fazia os seus olhos brilharem. Parecia uma dança. A dança das fadas imaginava.
Nunca tinha conhecido uma fada. Nunca tinha sabido o que era querer conhecer uma.
Inesperada, pela manhã, quando se preparava para mais uma dança, veio e abriu-lhe as janelas de par em par. Escancarou a porta, fulminou o silêncio!
A vida dele mudou nesse dia.
Descobriu que afinal o seu corpo, pesado e raquítico, mirrado pela ausência de sentimentos, tinha cinco sentidos. Descobriu novos cheiros, novos aromas. Descobriu o que era tocar e ser tocado. Saborear e ser... saboreado. Abriu os olhos.
Ofuscado de início, sem saber o que fazer ou sentir, teve medo. A luz era para ele apenas uma fresta ao início da manhã. Agora, até na noite sombria o sol brilhava.
A fada, como passou a chamar-lhe sem que ela soubesse, não falava. Olhava-o, amava-o, tocava-o, sempre em silêncio. Perdera o dom da fala pensava ele. Talvez tivesse sido esse o seu sacrifício para que pudesse ter o dom de o acordar.
Quando se sentavam os dois à janela, olhando o rio, como sempre em silêncio, podiam ouvir-se um ao outro, afinal de contas, falavam a linguagem das almas.

Talvez ela sempre o tenha sabido. Ele, contudo, não o esperava.
Um dia, ao amanhecer, tudo estava escuro. A porta fechada. A janela trancada.
Pensou ser um erro, um sonho, um pesadelo.
Tentou gritar, em vão. Até a voz tinha perdido.
Dias passaram, meses, talvez até anos. O escuro em que antes se tinha habituado a viver, era agora parte dele. Apodera-se da sua alma que não mais falava, não mais ouvia.
Escuras. Cada vez mais escuras, as noites em que antes o sol brilhava, invadiram os dias e nem a lua o acompanhava já.
A pouco e pouco, cansadas de não terem com quem dançar, as frestas iluminadas partiram.
O vazio tomara conta do quarto onde antes vivera Eros e agora repousava Tanatos.

Sorrow

I should be yours
you should hold my hand
and together we'd make a stand
Sometimes
one will never be two
and the north wind
will never be a summer breeze.
Some things are just not meant to be
Green
isn't always yellow and blue.
Love
why can't you see
that our hands go together in harmony
like a waltz, a operah or a symphony.
Hold me tonight
Hold me tomorrow
Hold me tight
sweep away my sorrow.

quinta-feira, janeiro 29, 2009

Rio da Lua


Este vídeo, um excerto do meu filme de eleição, tem aquilo que mais me cativa enquanto homem, poeta, sonhador, ser humano, crente por muitas vezes descrente.Um quadro com uma música, um olhar, um sorriso, e um homem, escritor, de palavras roubadas, e sentimentos à flor da pele.

Vejam e digam-me se não vos deixa a alma quente...

Cativar

"(...)se tu me cativares, a minha vida ficará como que cheia de sol. Conhecerei um barulho de passos que será diferente dos outros. Os outros passos fazem-me esconder debaixo da terra.
O teu chamar-me-á para fora da toca, como se fosse música. E depois, olha! Vês, lá longe, os campos de trigo? Eu não como pão. O trigo para mim é inútil. Os campos de trigo não me lembram coisa alguma. E isso é triste! Mas tu tens cabelos cor de ouro. Então será maravilhoso quando me tiveres cativado. O trigo, que é dourado, fará lembrar-me de ti. E eu amarei o barulho do vento no trigo...
(...)
Assim o principezinho cativou a raposa. Mas, quando chegou a hora da partida, a raposa disse:

- Ah! Eu vou chorar.

- A culpa é tua, disse o principezinho, eu não queria fazer-te mal; mas tu quiseste que eu te cativasse...

- Quis, disse a raposa.

- Mas tu vais chorar! disse o principezinho.

- Vou, disse a raposa.

- Então, não sais lucrando nada!

- Eu lucro, disse a raposa, por causa da cor do trigo."


Independentemente do que se viveu, da forma como se viveu, da mágoa, da desilusão, da tristeza ou da saudade, terei sempre, eu e quem sabe amar a vida num sopro, a cor do trigo.