sábado, março 28, 2009
Eternamente
dos sonhos que ficam, sensações à flor da pele
dias a fio pintados a tons pastel
e estremece-me o corpo no abraço que te prende.
Há na dor um desejo, uma fonte, uma sede
um cama vazia à espera, numa espera cruel,
um doce carinho, dois braços de mel,
uma vida, partilha, um olhar que entende.
Quero tocar teu corpo, sentir a paixão,
conhecer teu cheiro, arrepiar-me sem fim,
ser a tarde mais longa, eterno Verão.
Saborear, amar, sentir-te em mim
ser o teu soldado na luta, na imensidão,
a teu lado afastar quem nunca te soube assim.
sexta-feira, março 27, 2009
Aconteceu
Aconteceu
Eu não estava à tua espera
E tu não me procuravas
Nem sabias quem eu era
Eu estava ali só porque tinha que estar
E tu chegaste porque tinhas que chegar
Olhei para ti
O mundo inteiro parou
Nesse instante a minha vida
A minha vida mudou
Tudo era para ser eterno
E tu para sempre meu
Onde foi que nos perdemos?
O que foi que aconteceu?
Tudo era para ser eterno
E tu para sempre meu
Onde foi que nos perdemos, meu amor?
O que foi que aconteceu?
Aconteceu
Chama-lhe sorte ou azar
Eu não estava à tua espera
E tu voltaste a passar
Nunca senti bater o meu coração
Como senti ao sentir a tua mão
Na tua boca o tempo voltou atrás
E se fui louca
Essa loucura
Essa loucura foi paz
Tudo era para ser eterno
E tu para sempre meu
Onde foi que nos perdemos?
O que foi que aconteceu?
Tudo era para ser eterno
E tu para sempre meu
Onde foi que nos perdemos, meu amor?
O que foi que aconteceu?
quinta-feira, março 26, 2009
To really love a woman
Musica e desejo do dia... "to really love a woman to understand her, you got to know her deep inside"
quarta-feira, março 25, 2009
O meu reino por um pouco de paz
Mas não... o dia ainda dói, e hoje é noite de Rachmaninoff a tocar incessantemente...
Um beijo a todas as que me seguem e me lêem. Sei que raramente respondo a comentários, mas é sempre bom sentir-vos aí.
Desculpem as nuvens, mas há dias assim... melhores virão, a começar por amanhã.
terça-feira, março 24, 2009
Sorrisos, abraços, beijos e amassos
Gosto da chuva. Adoro o vento. Adoro a Lua.
Gosto de andar descalço na areia, não na quente, mas sim naquela junto à rebentação, fria e que dança com os dedos, embalada pela água salgada.
Gosto de beijos e de abraços. E de amassos também :)
Gosto da latitude e da longitude e de como elas me dizem onde estou.
Gosto de estar, de ser e de ficar.
Gosto de cortinados, da forma como deixam a luz entrar, entrecortada.
Gosto de ler o horóscopo do dia e sorrir com tanto disparate. Leio o meu e depois o teu. Sempre, todos os dias de manhã.
Gosto da primeira bica do dia, do amargo do café que me fica na boca.
Gosto de ficar sem fôlego com um pensamento. Uma saudade, um momento, uma palavra. Gosto de brincar com as palavras.
Gosto de estar deitado, de lado, a olhar...
Gosto de adormecer com duas almofadas. De acordar e antes de abrir os olhos ter esperança, levantar-me, olhar o espelho e dizer, é hoje!
Gosto das pequenas coisas, dos pequenos pormenores de que a Lita, tão bem fala.
Gosto das surpresas boas.
Gosto tanto de tanto, que sinceramente, o que mais gosto é mesmo de gostar de tanta coisa :)
segunda-feira, março 23, 2009
Fogueira
Danço na chama que me consome,
nos dedos que, enormes, tentam chegar-te.
Queimo-me na tua pele,
no teu rosto.
Beijo os lábios
doces de sol posto.
Sou tinta bamboleante,
de pincel errante, que na tela tenta desenhar-te.
Sou o verniz nas tuas unhas,
o reflexo em teus olhos.
Sou amar-te, sou ter-te,
sou um verbo que se conjuga na tua boca.
Sou a água de outrora,
o vento de leste, amargo, agreste,
o sonho que te ama na aurora.
domingo, março 22, 2009
I had a farm in Africa
Sempre tive uma tendência incrível para relações amorosas com propensão para o fatalismo. Acho que só se ama, quando se ama intensamente. E sim, o amor vem no primeiro olhar, no primeiro toque, na primeira palavra, na primeira imagem que se constrói dentro de nós.
Um dia, vou escrever um livro. Uma história de amor, desse amor que falo, o amor paixão, o amor arrebatador. Esse amor, não vem com os anos, aliás, com os anos, muitas vezes, esfuma-se, dando lugar ao amor amizade, amor carinho, amor hábito. É amor na mesma, mas... saudade, saudade, sentimos daquele primeiro, que nos fez ver o céu mais azul e uma oitava cor no arco-íris.
No entanto, ninguém consegue viver assim continuamente, e por isso mesmo, os filmes de que falei, retratam histórias fatais, amores de uma vida, que ficam eternamente vivos na memória até que os dias se esvaiam completamente das vidas de quem pode dizer que viveu!
As pegadas impressas na alma são indestrutíveis, li uma vez, e concordo.
Quando se ama assim, acabamos por ser injustos para quem vem a seguir. Porque sentimos sempre que esse sentimento nunca estará à altura daquele outro. Nunca voltaremos a sentir na pele o arrepio do olhar, a voz embargada por um silêncio, por uma cumplicidade. E sim, aí somos injustos connosco próprios porque não nos damos uma oportunidade.
Mas, já estou a divagar, e, o que quero dizer, é muito simples, amem! Intensamente! Repito-me de quando me intitulava de poeta, mas não me canso, amem! Sem olhar a mais nada. Sejam inconscientes! Dêem-se completamente. Vivam o amor paixão. Os outros amores, têm tempo de chegar. Não partam para a vida a dois sem o sôfrego amor.
Não quero dar lições de moral, mas sinto cada vez mais que as pessoas não se entregam, que se juntam por convenções, tradições ou, a pior de todas para mim, por questões económicas, do tipo, viver a dois permite um maior desafogo que viver sozinho. São tudo razões respeitáveis, no sentido que cada um faz as curvas como quer, mas, pensem daqui a uns anos, quando já tiverem a barriguinha crescida, ou as meninas, um peito mais flácido e as rugas a ameaçarem, acham que vão olhar para trás e sentir-se felizes? Alguns sim, sem dúvida, mas a maioria de nós, o que não daria para poder recordar, e dizer, todas as manhãs ao espelho, "eu já sei o que é o amor, a paixão".
Por isso, lutemos para sermos felizes. Ele chega sempre, se tivermos paciência para esperar por ele. Perseverança para lutar por ele. Desejo que ele venha ter connosco.
Há tantas pessoas lindas no mundo, por dentro e por fora, mas só uma encaixa na perfeição em nós. Eu quero essa perfeição, e vou lutar por ela, e vocês?
Angústia
ou já te levam balas de um qualquer inimigo.
Será que soube dar-te tudo o que querias,
ou deixei-me morrer lento, no lento morrer dos dias.
Será que fiz tudo que podia fazer,
ou fui mais um cobarde, não quis ver sofrer.
Será que lá longe ainda o céu é azul,
ou já o negro cinzento confunde Norte com Sul.
Será que a tua pele ainda é macia,
ou é a mão que me treme, sem ardor nem magia.
Será que ainda te posso valer,
ou já a noite descobre a dor que encobre o prazer.
Será que é de febre este fogo,
este grito cruel que da lebre faz lobo.
Será que amanhã ainda existe para ti,
ou ao ver-te nos olhos te beijei e morri.
Será que lá fora os carros passam ainda,
ou estrelas caíram e qualquer sorte é benvinda.
Será que a cidade ainda está como dantes
ou cantam fantasmas e bailam gigantes.
Será que o sol se põe do lado do mar,
ou a luz que me agarra é sombra de luar.
Será que as casas cantam e as pedras do chão,
ou calou-se a montanha, rendeu-se o vulcão.
Será que sabes que hoje é domingo,
ou os dias não passam, são anjos caindo.
Será que me consegues ouvir
ou é tempo que pedes quando tentas sorrir.
Será que sabes que te trago na voz,
que o teu mundo é o meu mundo e foi
feito por nós.
Será que te lembras da côr do olhar
quando juntos a noite não quer acabar.
Será que sentes esta mão que te agarra
que te prende com a força do mar
contra a barra.
Será que consegues ouvir-me dizer
que te amo tanto quanto noutro dia qualquer.
Eu sei que tu estarás sempre por mim
não há noite sem dia, nem dia sem fim.
Eu sei que me queres, e me amas também
me desejas agora como nunca ninguém.
Não partas então, não me deixes sozinho
Vou beijar o teu chão e chorar o caminho.
Pedro Abrunhosa
Saudade
Sinto a tua falta.
De te ler.
De te abraçar, nos pequenos momentos,
pequenos instantes,
nos enormes sorrisos cúmplices de amantes.
Sinto a falta de me encontrar em cada verso teu
e de me deitar na certeza que o universo estava do nosso lado.
De encontrar na almofada
os sonhos que já não desejava.
Sinto a falta do teu toque,
da tua voz.
Sinto a falta do sol, em dias que, agora, amanhecem cinzentos,
sempre...
Sinto falta de ti
Sinto falta de mim
Sinto falta de nós...
sábado, março 21, 2009
Dia Mundial da Poesia
rio desordenado,
restolho quente, desejo queimado.
Poesia que se encontrou em ti,
lua amada,
vento sul, deserto que sente.
Poesia que te quero,
porta entreaberta
desespero.
Poesia meu mundo,
meu caminho até ti,
desejo consumado,
pele, toque, cheiro e fado,
canção, sinfonia,
teu corpo, alegria.
Mistéééééério
Tinha lá o meu swatch, um blusão da levi's, e alguns brinquedos da pequenina, tudo intocado. Há coisas inexplicáveis. Ou sou sonâmbulo, ou há um ladrão muito simpático aqui a rondar.
Aceitam-se sugestões para explicar o sucedido.
Os teus pés
contemplo os teus pés.
Teus pés de osso arqueado,
teus pequenos pés duros.
Eu sei que te sustentam
e que teu doce peso
sobre eles se ergue.
Tua cintura e teus seios,
a duplicada púrpura
dos teus mamilos,
a caixa dos teus olhos
que há pouco levantaram vôo,
a larga boca de fruta,
tua rubra cabeleira,
pequena torre minha.
Mas se amo os teus pés
é só porque andaram
sobre a terra e sobre
o vento e sobre a água,
até me encontrarem.
Pablo Neruda
sexta-feira, março 20, 2009
Vazio
Fiz a barba, ouvi Nina Simone.
Tomei banho ao som de Nina Simone.
A cozinha estava vazia.
A sala estava vazia.
O telemóvel... silêncio.
Saí para o trabalho de alma vazia.
Voltarei, ou não...
o vazio permanece.
quinta-feira, março 19, 2009
The closest thing to crazy
"I was never crazy on my own...
And now I know that there's a link between the two,
Being close to craziness and being close to you. "
quarta-feira, março 18, 2009
Os dias que me doem....
Para me sentir, precisei sentir tudo,
Transbordei, não fiz senão extravasar-me,
Despi-me, entreguei-me,
E há em cada canto da minha alma um altar a um deus diferente."
Fernando Pessoa
terça-feira, março 17, 2009
segunda-feira, março 16, 2009
Eu sei que vou te amar
Eu sei que vou te amar
Por toda a minha vida eu vou te amar
A cada despedida eu vou te amar
desesperadamente vou te amar
E cada verso meu será
Pra te dizer que eu sei que vou te amar
Por toda a minha vida
Eu sei que vou chorar
A cada ausência tua eu vou chorar
Mas cada volta tua há de apagar
O que essa tua ausência me causou
Eu sei que vou sofrer
A eterna desventura de viver
A espera de viver ao lado teu
Por toda a minha vida
domingo, março 15, 2009
Excertos...

Faço-te deslizar sobre a cama, sobre os lençóis ainda amarrotados pelo ímpeto da paixão e deixo-te nua a olhares-me. Pego no pincel chinês, de pêlo de marta, e na tinta sépia e, dirigindo-me a ti, digo para te virares. Olhas-me carente e apaixonada e obedeces-me deixando a planície das tuas costas completamente a minha mercê. Sento-me junto a ti e começo a escrever, suavemente, arrepiando a pele ao toque do pincel e da tinta fria. Oiço-te gemer baixinho, na antecipação do prazer, e contrais-te quando, para escrever mais um verso, te toco a pele com a mão.
Escrevo sem parar e, a palavra sinto-te cada vez mais excitada. Perguntas-me, o que estás a escrever? Respondo-te, estou a escrever-me a mim, em ti.
Não me deixando continuar, viras-me e beijas-me, e entre tintas e pincéis, versos, poesia e palavras desgarradas, voltamos a fazer amor sob um sol que entardecia.
- Não me deixes nunca!
- Como te posso deixar, se já és parte de mim?
- Amo-te tanto...
- Sou-me em ti.
