quarta-feira, dezembro 12, 2007

Gabardine cinza

Visto a gabardine e parto para a chuva.
Na solidão percorro os passeios da cidade inundada.
Movo-me na vastidão da solidão que me rodeia
e saltito de rosto em rosto, de alma em alma,
de todos os que por mim passam e deixam
um misto de saudade e leveza.

Tento descobrir o porquê
de uns rirem,
outros chorarem,
outras passarem impávidos e serenos,
alheios a tudo.
Tento descobrir o porquê
da maior parte das vezes sorrirmos,
se temos a capacidade de rir...
Rir até que nos doam as bochechas,
rir até que os braços nos tremam e as lágrimas surjam...

Porque choramos de tristeza se podemos chorar de alegria?

Atravesso na passadeira e também nos carros os rostos estão impávidos
serenos
alheios
longe, bem longe...
talvez à procura da memória,
seja ela nossa ou global,
de quando deixámos de rir,
de quando nos deixámos cair na mentira
em que nos fazem viver o dia-a-dia.

Talvez quem passar por mim também me ache assim,
alheio...
Mas eu percorro debaixo da chuva o passeio
e não me levo comigo!
Enquanto a chuva me molha, o frio me invade e os dedos dos pés se encolhem,
na minha alma está sol.
E passeio com ela num prado verde salpicado de margaridas!
É então que sorrio, mas por dentro,
cá bem no fundo destes olhos tom de ferida,
vive uma risada para a vida e choro
até que me doa eu todo!

Não sou infeliz... apenas ando pela rua de felicidade escondida...

5 comentários:

grilinho disse...

Profundo, sereno, sincero..

Admiravel!

Vanadis disse...

;) o grilinho já disse tudo.

Como tu, andamos nós na rua da felicidade escondida pela mentira do dia a dia.

E olha lá, para quando visitas ao outro blog?? (o meu...)

poeta_poente disse...

as visitas sao diarias, os comentarios.... sorry

Cometa 2000 disse...

Muito bonito e transparente...

Provavelmente é assim que o de dentro se vai mostrando.

[às vezes importa ser ainda mais claro. é de algum modo uma forma de contágio. pelo menos hoje foi. ao ler o texto. obrigado.]

iFrancisca disse...

Tenho sempre dificuldade em comentar estes textos... são muito profundos para uma disparatada como eu! Mas vou-me esforçar, voltar mais vezes e tentar!
Beijinhos