quarta-feira, maio 13, 2009

424 - Hasta siempre...



Há em mim um cansaço enorme. Cansaço pelas expiações, cansaço pelos mal entendidos, cansaço pelo diz que disse. É a terceira vez que ameaço mas desta é de vez. Se for esta a única forma de dizer basta, então será este o caminho que vou tomar. Foram 424 posts ao longo de quase 4 anos, é muito... e muita água correu...
Não é a forma nem o motivo pelos quais esperava terminar mas o que tem que ser tem muita força.
Fica activo para quem quiser ler e recordar os passos de um intervalo de uma vida que se quer mais livre, mais despida.
Hoje ganha o medo e a insegurança, hoje calo-me, pelo menos aqui...

Hasta siempre....

Afinal, os sobreiros morrem sós....

O tuga é corajoso!

Não era nada que eu não soubesse já, mas vou partilhar convosco o porquê de achar o tuga uma criatura mesmo corajosa. Ora digam-me lá se não é por pura coragem que alguém resolve fazer inversão de marcha a seguir a uma curva, pisando traço contínuo duplo, quando tem uma rotunda a 100 metros?

É não é???

Ah ganda Tuga!!!!

terça-feira, maio 12, 2009

De ti....

Nas ondas que vagueiam,
nas noites que serpenteiam
e nas mortes anunciadas
das histórias passadas,
encontro o ar que te levo,
que breve se torna,
na árvore mais alta
da floresta profunda,
onde te encerras, sussurras e esperas,
pelo vento que cavalgue,
por noites de lágrimas,
pelos orvalhos de madrugada
e te encontre enfim,
te pegue, te leve,
te carregue nos ombros,
te apague de ti.

Olhar o céu

Pergunto-me, de olhos postos no céu, deitado num terraço improvisado, se nesse preciso momento olhas as mesmas estrelas que eu. Seria fácil sabê-lo, pegando no telemóvel e enviando-te uma mensagem, ou fazendo um telefonema, só para ouvir a tua voz, da qual sinto uma saudade inexplicável.
Não o faço. Em vez disso, transporto-me até ti. Substituo o cimento pela relva de um outeiro, o som dos carros na estrada pelo regougar das raposas e pelo bater das ondas lá em baixo, no fundo da escarpa onde nos sentamos de olhar perdido. Troco a sensação de vazio pela minha mão entrelaçada na tua. Inspiro fundo e perco-me nessa viagem que queria fazer até ti, nesse céu que queria partilhar a teu lado, nessa lua nascida a leste e que nos prende os sentimentos por instantes para regressarem depois em forma de beijos, abraços e carinho pela noite dentro.
Vejo-me em ti e não quero mais partir. Vejo-te em mim e não sei como te explicar que a minha alma te conhece e já olhava as estrelas muito antes de eu as descobrir e saber que existem apenas para sabermos o quão pequenos somos perante o universo.
Não sei usar mais palavras, mas sei que te sinto a cada hora que passa no meu dia, nos nossos dias distantes.
Neste cimento frio, sob estas estrelas que esperam a lua para se esconderem envergonhadas, viajo até ti e deixo-me ficar nesse paraíso que dizem salvar almas que antes se encontravam perdidas.

segunda-feira, maio 11, 2009

Devaneio

Eu sei que não é habitual, mas habituem-se, aqui o moondreamer também tem rasgos de pessoa normal e gosta muuuuuuuuuuuuuuuuito desta música, vamos dançar???

sexta-feira, maio 08, 2009

A côr da Story



É bom dar côr, principalmente a quem já tem tanta, Obrigado storyteller (aka stitch)

Pormenores two

- Escolher só faz sentido quando sabemos o que estamos realmente a escolher.
- Nunca se sabe realmente.
- Então, o que nos garante...
- Nada te garante nada. O sentimentos não se garantem, não se prevêem no tempo nem no espaço.
- Ou seja, o que sentes por mim agora, pode acabar de um momento para o outro?
- Não estás a entender, eu amo-te, adoro-te, és tudo para mim neste momento presente, e este sentimento, de tão forte que é, não se desvanece a não ser que...
- A não ser que....
- Que não seja retribuído, estimado, acarinhado. O amor é como uma planta frágil, eu diria mesmo um bonsai. Tem que ser cuidado todos os dias. Pode ter um aspecto forte, mas ao mínimo descuido pode começar a definhar.
- Não sei se entendo a tua analogia.
- Amor, o que quero dizer é que amar não é algo que se deva ter como garantido.
- Eu sei, o grande truque de amar para sempre está na forma como nos reinventamos todos os dias.
- Isso mesmo.
- Já passámos por tanto amor, tanta dificuldade, tanto contratempo, tanta adversidade. E o nosso amor tem vindo sempre a crescer. É exponencial...
- Por isso te digo, pode acabar, claro que um amor pode acabar, mas depende de nós. Tudo na vida fosse assim.
- Tudo estivesse assim nas nossas mãos... é mesmo...

(continua)

quinta-feira, maio 07, 2009

Para bom entendedor....

.... meia palavra basta!


quarta-feira, maio 06, 2009

Pormenores one

- A saudade devora, como diz a música.
- Essa música é um bocado pimba não achas?
- Os sentimentos, por vezes, parecem pimbas, ou pelo menos a forma de os expressar, não deixando de ser menos importantes por isso.
- Talvez tenhas razão...
- Amor é sempre amor, seja onde for.
- Rimaste...
- Pois foi. Mas eu sei que sou amada.
- Como sabes?
- Pelo teu sorriso sempre que chego perto de ti e pelo que ele me faz sentir.
- O que te faz sentir?
- Que sou a mulher com mais sorte do mundo, em seis biliões de pessoas encontrei-te...
- Fizeste-me lembrar a música da Katie Melua, Nine million bicycles.
- That's a fact...
- Like the fact that will love till I die.
- Sabes, às vezes penso que vivemos num sonho, do qual não quero acordar nunca.
- Amor, este sonho fomos nós que o construimos. Vive em nós e viverá enquanto nos quisermos.
- Eu sei, sei bem que o querer é a força de tudo, mas...
- Mas?
- Tenho tanto medo de te perder, e tanto medo de te ter.
- Eu sei amor, eu sei... também o sinto.

(continua)

terça-feira, maio 05, 2009

CALLING YOU (BAGDAD CAFE)


Para quem não conhece a partilha, para quem já conhecia a recordação.
Esta música acalma-me a alma após a noite agitada.

I am calling you
Can't you hear me
I am calling you
A hot dry wind blows right through me
The baby's crying and I can't sleep
But we both know a change is coming
coming closer, sweet release
I am calling you.....

segunda-feira, maio 04, 2009

Menina

Menina bonita
dos olhos de vidro,
dos sonhos perdidos,
da ilha que longe
se planta em verde esmeralda.
Menina
dos olhos de fada,
dos sorrisos esquecidos
e da mágoa escondida.
Menina,
que procuras na ternura do momento?
Na ausência, no sofrimento?
Que procuras encontrar,
se o que tens já é tudo,
um abraço tão longo
que abarca todo o mundo...

Adeus Vasco

De seu nome completo Vasco de Oliveira Granja, nasceu a 10 de Julho de 1925, no bairro de Campo de Ourique, em Lisboa em Portugal, vindo a falecer em Cascais, na madrugada do dia 4 de Maio de 2009. Estudou na escola 12 do Bairro Alto, em Lisboa, e na Escola Industrial Machado de Castro, a qual abandonou após uma reprovação na disciplina de álgebra, no quarto ano.

Aos 15 anos de idade, encontrou o seu primeiro emprego, nos Armazéns do Chiado. Era responsável pelas amostras de seda que eram oferecidas às clientes. Algum tempo mais tarde, foi transferido para o departamento de publicidade, quando notaram que tinha um grande gosto pela leitura. Pintava cartazes com anúncios para as montras.

Como o ordenado não era suficiente, mudou de emprego, tendo ido trabalhar para a Foto Áurea, na Rua do Ouro, em Lisboa, estabelecimento esse que hoje já não existe. Nessa altura, visitava com frequência a Biblioteca Nacional, que estava aberta aos jovens. Interessava-se já por museus, pintura e pelo desporto, tendo sido sócio do Benfica durante algum tempo.

Durante a sua infância, apaixonou-se pelo cinema. Como na altura não existia classificação etária nos cinemas, percorreu todos os que existiam em Lisboa.

Casou-se com Maria Inácia, uma jovem de família oriunda do Ribatejo, que conheceu num baile em Lisboa. Tiveram uma filha e duas netas.

No decorrer dos anos 50, durante o regime fascista em Portugal, associou-se ao movimento cineclubista. Em Lisboa, participava no aluguer de salas e na projecção de filmes obtidos através das embaixadas, em formato de 16 milímetros. Os filmes tinham sempre que passar pela censura. Apesar disso, conseguiam mostrar filmes do neo-realismo italiano. Em 1952, foi detido pela PIDE, em consequência do dinheiro dos bilhetes para os filmes se destinar a financiar o movimento de resistência ao regime do Estado Novo. Esteve preso durante seis meses, na prisão do Aljube.

Em 1960, esteve presente no festival de animação de Annecy, em França, a representar Portugal. Durante essa viagem, a primeira fora do seu país, ganhou uma nova paixão pela animação. O cineasta canadiano de animação Norman McLaren tornou-se o seu maior ídolo. Viria a conhecê-lo pessoalmente.
Vasco Granja esteve ligado ao PCP e participou na festa do jornal do partido, a festa do Avante

Durante os anos 60, foi novamente detido pela PIDE, devido à sua ligação na altura ao Partido Comunista Português, mais concretamente à célula comunista dos cineclubes. Esteve preso durante 16 meses, tendo cumprido parte desse tempo em Peniche. Na prisão, foi submetido a várias torturas físicas e psicológicas, como a tortura do sono.

Em 1974, deu início a um novo programa de televisão, denominado "Cinema de Animação", na RTP, que viria a durar 16 anos, com mais de mil programas transmitidos. Nesses programas, dava a conhecer a animação de todo o mundo, desde aquela que era realizada nos países do leste da Europa, até à proveniente da América do Norte. Pretendia, com o seu programa, divulgar, para além da própria animação, uma mensagem de paz, que considerava estar presente em muitos dos filmes da Europa de Leste que transmitia.

Ainda em 1974, foi membro do júri do Festival Internacional de Banda Desenhada de Angoulême.

Em 1975, criou um curso de cinema de animação, a partir do qual viria a nascer a Associação Portuguesa de Cinema de Animação.

Em 1980, foi membro do júri da quarta edição do Animafest, o Festival Mundial de Animação de Zagreb, realizado na então Jugoslávia. Participara já como observador neste festival na edição de 1974, logo após o 25 de Abril.

Permaneceu na RTP até 1990.

Não podia deixar passar este dia em claro. Adeus Vasco, companheiro Vasco, de tantas tardes, de tantas descobertas. Foste a minha, a nossa companhia, a nossa descoberta do mundo da magia, do mundo onde tudo era possível. Mostraste-nos que os nossos desenhos, os sonhos que desenhávamos podiam ter vida.

Até sempre Vasco.

domingo, maio 03, 2009

O amor

"Amor que não liberte, que nos faça sofrer ou nos impeça de ser o que somos não é verdadeiro Amor. E que esse só pode surgir se nada esperarmos nem nada pedirmos uns aos outros".

Vi esta frase aqui, e deu-me muito, muito que pensar.
Há quem não saiba mesmo o que é amar, e confunda amor com posse.
Amor só se conjuga com o poder, no sentido que quem ama, pode realmente tudo, basta querer...

Mãe há só uma

A professora mandou fazer uma composição para o dia seguinte sobre o tema:

'Mãe, há só uma'.

No outro dia a professora mandou o Joãozinho ler a dele;

- Quando eu era mais pequeno, fui passear com a minha mãe e então ela parou

para ver uma montra e eu comecei a atravessar a estrada. Veio um carro e quando

estava quase a ser atropelado, a minha mãe salvou-me. Mãe, há só uma.

- Muito bem Joãozinho. Agora podes ser tu Manuelinho.

- A semana passada fui com os meus pais à praia e fui tomar banho ao mar.

Veio uma onda e arrastou-me. Quando estava quase a ser levado, aparece

a minha mãe e salvou-me.

Mãe, há só uma.

- Muito lindo Manuelinho. Lê agora a tua, Zézinho.

- Ontem ao jantar a minha mãe mandou-me ir ao frigorífico buscar duas cervejas, eu fui lá, abri o frigorífico

e tive que dizer:

'Mãe, há só uma'.

Sei que não é nova, mas neste dia especial, apeteceu-me ser eu próprio, ser como a minha mãe me ensinou a ser. Brincalhão. Levar a vida a sorrir porque, como diz aquele célebre frase, não leves a vida demasiado a sério pois nunca sairás dela vivo.
Um bom dia da mãe mãe.

Portishead - Sour Times


Adoro, simplesmente adoro este som...

sábado, maio 02, 2009

Diálogo pela manhã

Cedo, bem cedo, com o quarto ainda escuro, a porta abre-se suavemente.

- Papá...
- Hummmm...
- Papá...
- Humm... sim...
- Papá, eu amo-te...

E salta para a minha cama...


Retirada daqui sob o título: "Leva-me contigo"

sexta-feira, maio 01, 2009

1991

O ano era 1991, eu estava sentado à mesa do jantar e a notícia surgiu indiferente a não ser pelo facto de referir a morte de alguém um mês apenas passado sobre a morte do meu avô.
Imediatamente me veio à memória a última viagem que fizera com ele no velho Citroen AX ao som de The show must go on. Tinha 12 anos.
Tenha sido por esse motivo ou por outro qualquer, a verdade é que procurei tudo o que havia para procurar de Queen. Numa altura em que não havia Internet, lembro-me que comprei um VHS do concerto Live at Wembley '86, que mandei vir da revista do Círculo de Leitores.
Desde aí são a minha banda de eleição.
The show must go on lembra-me o meu avô.
Too much love will kill you lembra-me de mim.
E esta que vos deixo, lembra-me tudo o que realmente importa para mim, amar! Amar por amar, seja um amigo, um amante, um objecto ou uma situação, o amor, o amar são-me fundamentais.
Espero que gostem. É, sem dúvida alguma, uma das melhores músicas alguma vez feitas.

Dia

Acordei com uma descomunal dor de cabeça. Olho a rua e tudo está calmo. O feriado move-se na ruas tristes que nem o sol consegue alegrar.
O dia vem ter comigo à cama e diz-me para me levantar. Não quero. Não me apetece sair lá para fora.
Sei que, inevitavelmente, terei que lhe dar ouvidos, mas não agora. Agora estou comigo. A falar comigo, a ouvir-me, a pensar-me na totalidade e na multiplicidade que tenho dentro de mim.
A alma fala-me em soluços não sei se de emoção ou choro. Torna-se quase imperceptível ouvi-la, compreendê-la, aceitá-la na sua plenitude de alma que toca todos os cantos, mesmo os mais recônditos do meu ser.
Acaricio-a, ponho-a ao colo, e falo-lhe pausadamente. Faço-a ver que nem tudo na vida pode ser uma alternância entre a excitação e o desespero, que há muitos de pausa, de calma, de angústia controlada e que é nesses momentos que mostramos quem realmente somos, que é nesses momentos em que ela pode ganhar fôlego para voltar a ser ela própria.
Pára de chorar, abraça-me e envolve-se em mim.
Adoro a minha alma.
Levanto-me finalmente da cama, dou a mão ao dia, enfrento a cozinha e preparo um café.
Sento-me na varanda em frente ao mar. Hoje não há croissant. Nem pão de leite. Hoje só há um sorriso eterno porque, ao falar com a minha alma, ao acalmá-la, acalmo-me a mim e começo a ver o nevoeiro a dissipar-se. Por isso, hoje é um dia especial.
Há pouco na cama a tristeza era minha companheira, mas agora estou com a brisa do mar, e esta brisa leva-me onde eu quero estar.

Mulher

quinta-feira, abril 30, 2009

Chocolate

Hoje, enquanto andava pelo supermercado, ao fim de um dia de trabalho que até nem foi muito complicado, passei pela secção dos chocolates... não vale a pena dizer mais pois não?
Estes fins de semana prolongados, por muito bem que saibam têm um fim de boca tão amargo, por isso, venha de la o chocolate, que o mundo pode acabar amanhã e eu quero ter a boca bem docinha :)

Post bem parvo este não?!

Musica è

terça-feira, abril 28, 2009

400

Este é o post número 400 do meu blog.
Entre lágrimas e sorrisos tem sido uma caminhada sem a qual acho que não seria a mesma pessoa.
Sem as vossas palavras não o seria efectivamente, e então, em jeito de comemoração da marca, deixo-vos um desafio, que, nos comentários, deixem escrito o que acham que vão estar a fazer, como vão estar na vida, o que vão estar ou queriam estar a sentir e a viver quando eu fizer o post nº 800, que é, pelas minhas contas, daqui a cerca de 2/3 anos...

Vá, quero ver essas respostas.

O desafio é para quem me comenta assíduamente e também para quem me lê por detrás do arbusto, vá, come out come out, wherever you are... :)

Laço

O laço que ata,
os dedos nos cabelo,
as almas em novelos
imperceptíveis de saber.

O laço que faço,
com que me prendo na cama,
me ato na chama
da fogueira que me arde.

O traço rasga o céu,
o sol aquece a tarde curta,
a nuvem chove em mim e
sopra um vento do deserto ao anoitecer.
A história que se vai escrevendo,
é numa língua que só eu entendo.

domingo, abril 26, 2009

Dove c'è l'amore?


Onde?
Na chuva que cai,
na saia rasgada?
Na pele despida?
Onde?
Na vida sombria?
Na saudade abraçada?
No rio que transborda?
Onde?
Na selva sangrenta?
na cidade da luz?
Na bonança, na tormenta?
Onde?
Na cama em que me deito?
No eco que enche o meu peito?
Ou na demora, do dia, da hora,
na canção da palavra,
conjugada
num futuro mais que perfeito?

A sunday kind of love

Na parede caiada,
caem as letras de um poema
que deixei por escrever.

Na chuva que escorre,
no sol que brilha,
há um sentimento que fica.

Há, nas tintas com que me pintas,
um mar de tonalidades
de pormenores
que me apresentas.

Nas tentativas,
nas dores,
nos amores perfeitos,
do jardim onde passeamos,
um micro mundo que não conhecia.

O meu micro mundo,
a minha alma escondida,
a voz que pensava perdida,
e que por ti encontrei.

Fim de semana nas imensas....

Voltei este fim de semana a casa. Voltei às minhas imensas.
Vim de autocarro, atravessando paisagens da minha infância, recordações de outros tempos e tudo isso mexeu comigo.
Há um misto de confusão e paz dentro de mim, mas no fundo acho que o Alentejo será sempre isto para mim, um refúgio onde venho esporadicamente, onde me sinto em paz, onde venho para viajar dentro de mim, mas não farei aqui vida.
As planícies, imensas, estendem-se a minha frente e são parte de mim. Mas são sobretudo a prova e a lembrança de tudo o que ainda tenho para percorrer.

sábado, abril 25, 2009

Desafio da Chris

A Christiana borboleta desafiou, não directamente, mas eu sou um gajo que aproveita tudo o que tá à mão, por isso aqui vai...

1- Nome?
Armando
2- Porque lhe deram esse nome?
Ok, vergonha das vergonhas, era o nome de um bailarino...
3- Você faz pedidos às estrelas?
Sim
4- Quando foi a última vez que chorou?
No comments
5- Gosta da sua letra?
Adoro
6- Gosta de pão com quê?
Com tudo
7- Quantos filhos tem?
Uma filha
8- Se fosse outra pessoa seria seu amigo?
Sem dúvida
9- Saltaria de bungee-jump?
No way....
10- Desamarra os sapatos antes de tirá-los?
Quase sempre...
11- Acredita que é uma pessoa forte?
Agora sim, muito forte.
12- Gelado favorito?
Não gosto de gelado (sacrilégio!!)
13- Vermelho ou Preto?
Castanho
14- O que menos gostas em ti?
Gosto de tudo (olha o nariz a crescer....)
15- O que mais gostas em ti?
Dos sentimentos que tenho cá dentro.
16- De quem sente saudades?
Da minha filha
17- Descreve que tipo de roupa está a usar agora
Ganga as always e camisa.
18- Qual foi a última coisa que comeu hoje?
Uma fatia de bolo de algo que ainda não sei o que era.
19- O que está ouvindo agora?
La valse de amélie
20- A última pessoa com quem falou ao telefone?
Com a minha amiga Carina.
21- Bebida favorita?
Água
22- Comida?
Ui, tantas... tudo menos favas...
23- Último filme que viu no cinema e com quem?
Os estranhos, com a Carina e o Zé.
24- Dia favorito do ano?
15 de Janeiro
25- Inverno ou Verão?
Inverno
26- Beijos ou abraços?
Beijos e abraços
27- Sobremesa favorita?
Bolo de bolacha
28- Que livro está a ler?
Manual de escrita criativa
29- O que tem na parede do seu quarto?
Tinta
30- Filmes Favoritos?
Love Actually
31- Uma música?
Too much love will kill you - Queen
32- Uma frase?
No peito dos desafinados também bate um coração.

O príncipe e a gaivota

A Ianita fala no blog dela de que nem só de amor fala a poesia. Nem só de amor vive a poesia.
Eu, ao início, li desconfiado, mas dou-lhe razão. Há muito mais na poesia para além da dicotomia enamoramento vs desgosto. Há na poesia e nas palavras em geral uma força que move montanhas, um poder que derruba governos, destrói relacionamentos, cria sentimentos, momentos e ilusões.
As palavras devem ser bem tratadas como dizia Nietzsche, "coisa feia a palavra maltratada". Há nelas o dom de fazer sorrir e de arrancar lágrimas mas, e há sempre um mas, o que seriam essas mesmas palavras sem o seu eco?
Sim, o eco que provocam em nós e que só é possível se formos sensíveis a elas. Será que o que realmente a poesia demonstra, o verdadeiro poder das palavras não é o facto de suscitarem em nós o que mais queremos esconder? O que mais tentamos afastar no dia a dia?
Exemplificando, que valor terá para alguém ouvir um "amo-te", se não o sentir igualmente?
Na verdade, a palavra pode ser embaraçante pois pressupõe uma resposta, mesmo que não façamos uma pergunta. A poesia, também ela procura um eco, seja ela amorosa ou uma arma política. Que força teria a música de José Afonso nos dias de hoje? Que impacto tem o Grândola Vila Morena numa sociedade em que a nova geração usa e abusa da liberdade, confundindo-a muitas vezes com libertinagem?
Os sentimentos esses são eternos, e julgo ser por isso que a poesia amorosa tem sempre mais "adeptos" que qualquer outro tipo de poesia.

A minha ronda por blogues fez-me pensar nisto. Refiro o da Ianita, mas muitos foram os outros que li.
Hoje, dia 25 de Abril, mais que o significado político, acho que devia ser um dia de balanço. Um dia para pensarmos naquilo que já temos e em tudo o que de errado fazemos. Um dia para pensar que dentro de nós todos somos livres. Que podem amordaçar-nos e atar-nos as mãos e os pés, jogar-nos areia para os olhos e dizer que vivemos numa democracia, mas os nossos sentimentos são livres. Livres para amar.
Hoje, dia 25 de Abril, devíamos todos ser um misto de "Principezinho" e "Fernão Capelo Gaivota". Liberdade para sentir, liberdade para viver. Nesse sentido sim eu grito, 25 de Abril Sempre!

Miedo

Tienen miedo del amor y no saber amar
Tienem miedo de la sombra y miedo de la luz
Tienem miedo de pedir y miedo de callar
Miedo que da miedo del miedo que da

Tienem miedo de subir y miedo de bajar
Tienem miedo de la noche y miedo del azul
Tienem miedo de escupir y miedo de aguantar
Miedo que da miedo del miedo que da

El miedo es una sombra que el temor no esquiva
El miedo es una trampa que atrapó al amor
El miedo es la palanca que apagó la vida
El miedo es una grieta que agrandó el dolor

Tenho medo de gente e de solidão
Tenho medo da vida e medo de morrer
Tenho medo de ficar e medo de escapulir
Medo que dá medo do medo que dá

Tenho medo de ascender e medo de apagar
Tenho medo de esperar e medo de partir
Tenho medo de correr e medo de cair
Medo que dá medo do medo que dá

O medo é uma linha que separa o mundo
O medo é uma casa aonde ninguém vai
O medo é como um laço que se aperta em nós
O medo é uma força que não me deixa andar

Tienem miedo de reir y miedo de llorar
Tienem miedo de encontrarse y miedo de no ser
Tienem miedo de decir y miedo de escuchar
Miedo que da miedo del miedo que da

Tenho medo de parar e medo de avançar
Tenho medo de amarrar e medo de quebrar
Tenho medo de exigir e medo de deixar
Medo que dá medo do medo que dá

O medo é uma sombra que o temor não desvia
O medo é uma armadilha que pegou o amor
O medo é uma chave, que apagou a vida
O medo é uma brecha que fez crescer a dor

El miedo es una raya que separa el mundo
El miedo es una casa donde nadie va
El miedo es como un lazo que se aprieta en nudo
El miedo es una fuerza que me impide andar

Medo de olhar no fundo
Medo de dobrar a esquina
Medo de ficar no escuro
De passar em branco, de cruzar a linha
Medo de se achar sozinho
De perder a rédea, a pose e o prumo
Medo de pedir arrego, medo de vagar sem rumo

Medo estampado na cara ou escondido no porão
O medo circulando nas veias
Ou em rota de colisão
O medo é do Deus ou do demo
É ordem ou é confusão
O medo é medonho, o medo domina
O medo é a medida da indecisão

Medo de fechar a cara, medo de encarar
Medo de calar a boca, medo de escutar
Medo de passar a perna, medo de cair
Medo de fazer de conta, medo de dormir
Medo de se arrepender, medo de deixar por fazer
Medo de se amargurar pelo que não se fez
Medo de perder a vez

Medo de fugir da raia na hora H
Medo de morrer na praia depois de beber o mar
Medo... que dá medo do medo que dá
Miedo... que da miedo del miedo que da

Prémio da Gata



A Gata, é uma querida. Ofereceu-me mais um prémio e só me apraz dizer que sempre gostei de gatos, mas dela gosto especialmente lollol.

Beijinhos blogamiga

sexta-feira, abril 24, 2009

Saturday and the infinite sadness

Percorro-me, internamente, em busca nem sei bem do quê. Perco o olhar na parede branca, vazia, despida de luzes e banhada apenas pela lua que se intromete a medo na sala onde me sento.
Os lábios estão secos e os olhos com um misto de alegria e tristeza.
Calaram-se as lágrimas.
Os desejos que antes me acompanhavam, são agora recordações,que de tão distantes me parecem inexistentes.
Já não tenho vontade de nada. Já não sinto nada. Já não espero nada.
Limito-me a estar aqui, à luz da Lua, ao som dos carros e de uma ou outra ambulância. Esta rua é tão movimentada. Assim era a minha vida.
Sento-me por vezes no passeio, e pego o telemóvel. Olho, vejo e volto a olhar as fotos, uma a uma. Encho o ecran vez a uma, vez a outra, como se folheasse um álbum de fotografias.
Tenho um desejo mórbido de sofrer. Sinto que o procuro quando insisto em recordar, em reviver, em voltar a querer.
O tempo não espera. O dia está a nascer.
A luz da Lua já não ilumina a sala. Os carros já não passam, os pássaros já acordaram.
Hoje é Sábado. Os silêncios são mais longos...


quinta-feira, abril 23, 2009

De volta...


Andei ocupado nos últimos dias. Sem tempo para vos escrever, sem tempo para vos ler, mas ontem, ao voltar para casa, ao fim do dia, vi algo que quero partilhar convosco.

Local: Praia de Faro

Data: Dia 22 de Abril de 2009

Estado de alma: completamente absorto

Deixo-vos a contemplar, o que de mais belo a natureza nos dá, todos os dias, e a maior parte das vezes nem paramos para ver, para admirar... deixo-vos a imaginar o que poderei ter sentido naquele momento e deixo-vos também uma música da inevitável Nina Simone, que adoro.


I Love You Porgy - Nina Simone

domingo, abril 19, 2009

Diálogos perdidos...

Ele - Vou fazer-te um barco de papel.
Ela - Para quê?
Ele - Para te levar a navegar.
Ela - Onde?
Ele - Nos meus sonhos...
Ela - (silêncio)
Ele - Amo-te.
Ela - Esse é o verdadeiro barco que construíste para mim.
Ele - Mas preciso do teu mar para navegar.
Ela - Tens o meu (a)mar.
Ele - Adoro-te sabias?
Ela - Eu também te adoro.

Há amores que fazem sentido...

Estados de alma...

Sim, estou viciado no Imeem, acho piada a pôr música a acompanhar cada post que faço, até porque sendo pedaços de mim, é no mínimo justo que sejam acompanhados por música assim como o é toda a minha vida. Há situações que vivi que relembro ao ouvir uma música na rádio ou num cd em shuffle. Há recordações que chegam com os acordes que entram em mim e muitas vezes me ecoam na alma.
O que é a alma? É a essência. É o que nos faz ser para além de estar. É a recordação, o desejo, o sonho, a felicidade e a tristeza. É o que impulsiona o coração, o corpo e a mente. É a base de tudo.
Podemos moldar-nos a tudo, mudar certas coisas, mas a alma, a essência mantêm-se.
Assim sendo, acho que não consigo descrever melhor essa minha essência do que com música.
Esta próxima ouvi uma tarde, não muito longínqua, na Antena1.
Gostei dela assim que a ouvi. Quero partilhá-la convosco, pois nenhuma outra define melhor o meu estado de espírito actual.
Um beijo, um abraço e um agradecimento sentido, a todas as pessoas que me lêem, incluindo as que o fazem em silêncio, sem comentar, apenas sentindo.

Este cantinho está em constante transformação, como se podem ir apercebendo. E não estou a falar de cores ou layouts. Ele muda assim como eu mudo. É a minha forma de comunicar para o exterior uma maneira de ser, pensar e sentir que normalmente não partilho. Sei que nem sempre é perceptível o que realmente quero dizer ou o que realmente estou a sentir, mas sei que há quem o perceba inteiramente.
Tenho andado angustiado. Não há forma de o esconder. O porquê esse sim, escondo-o de tudo e de todos.
Têm sido dias difíceis e não me parece que melhorem nos próximos tempos. As ausências têm destas coisas...
Enfim, comecei por referi-lo, portanto, e sem mais lamúrias vou deixar-vos o que realmente aqui vim partilhar.

Hugs and kisses
A.


Diz que fui por ai - Fernanda Takai

An afternoon in the park

Uma tarde no parque, rodeado de sorrisos,
de sol,
e de gaivotas que se aventuram terra dentro.
Uma tarde no parque,
de brisa do mar,
de horizonte no olhar,
e de desejo de partir.
Uma tarde no parque,
de amor,
de mãos dadas e erva verde,
de gelados e brincadeiras.

Hoje à tarde,
vou sentir a falta,
da tarde não acabar
e do amanhã depressa chegar.

Adoro ouvir as crianças pronunciarem o meu nome, esquecendo muitas vezes o "r", fica um admirável "Amando", lindo de ouvir não é? :)

Croissant II

E pronto, croissant já marchou. O que ia mesmo bem agora, eram uma uvinhas, ou uns frutos vermelhos.

Come on... smile!!!! It's a beautiful sunday outhere.

E para a inspiração, fica uma musiquinha daqueles que nos fazem estremecer :)


id do anything for love (but i wont do that) - meat loaf

Croissant

Se há coisa que gosto de fazer ao Domingo de manhã é comer um croissant. Seja simples, salgado ou doce, sabe sempre tããããããooo bem... por isso, e enquanto a preguiça continua a dominar a pequenina, vou sentir-me ali na varanda, com um croissant fresquinho, uma caneca de Capuccino e ver o mar. Está lindo o dia...

sábado, abril 18, 2009

Coincidência, ou talvez não...

Corria eu o youtube enquanto a pequenina fazia os TPC, eis que dou com esta música e ela me diz, pai, gosto muito desta música. Impossível deixar passar em claro. Na sua inocência, na sua simplicidade, na facilidade em dizer "gosto" como só as crianças têm, disse tudo... "Right here waiting..."




Right Here Waiting (live) - Richard Marx

Call Me


O dia amanheceu cinzento. Levantei-me cedo.
A chuva não caiu.
Saí para a rua levando apenas um casaco e a minha filha.
Levei o coração cheio de incertezas,
mas não lhe dei de comer.
As certezas que ele queria, não havia,
e não podendo ter certezas prefere não comer.
Eu
a minha filha
e o coração,
voltámos para casa pelo mesmo caminho que tinhamos levado,
mas não o dexei entrar.
Não te quero aqui coração,
vai até onde quiseres...

sexta-feira, abril 17, 2009

She

She
May be the reason I survive
The why and wherefore I'm alive
The one I'll care for through the rough in ready years
Me
I'll take her laughter and her tears
And make them all my souvenirs
For where she goes I've got to be
The meaning of my life is

quinta-feira, abril 16, 2009

O rio que corre, algures....

A noite estava quente e o baile prestes a começar. Corria o ano de 1868. Lembro-me como se fosse hoje. O salão estava repleto de duques e duquesas, condes e marqueses. Os fatos de gala faziam as delicias das senhoras de bem que caíam facilmente na vulgaridade da maledicência. Quando as portas se abriram e, ladeada pela talha dourada que brilhava à luz de milhares de velas, ofuscaste tudo e todos, o meu peito, cheio do meu orgulho vão, que roçava facilmente a prepotência, estremeceu.
O cabelo castanho, cor de árvore despida pelo Outono, casava na perfeição com o brilho dos teus olhos, também eles castanhos. O sorriso tímido com que brindavas quem se cruzava com o teu olhar, a graciosa vénia que fazias, a serenidade que os teus passos transmitiam ao passares, tornaram-me um mirone de todos os gestos com que o teu corpo emoldurado no espartilho e ocultado pela saia armada, atravessava a sala boquiaberta.
Os tons do tecido, púrpura, realçavam-te a silhueta e o tom da pele. Os teus seios espartilhados, encimados por um fio singelo de prata trabalhada com uma pérola dos mares do sul dava-te um exotismo que mais nenhuma mulher possuía, por mais jóias que carregasse.
O teu brilho vinha de dentro.
E eu senti-me atraído por ele.
Dirigi-me a ti, curvei-me numa vénia sem nunca tirar os meus olhos dos teus.
A música começara entretanto, um compositor novo, de Viena, Strauss de seu nome. A música chamara-lhe Danúbio Azul, em homenagem ao rio que atravessava grande parte do império.
Transmitias-me a calma desse rio longo, que os antigos julgavam não ter princípio nem fim. Soube imediatamente, que eras a tal, eras a alma que ansiava tocar desde todas as vidas passadas, a alma que me tinha sido retirada nos princípios dos tempos.
Nunca mais nos deixámos desde aí. Os anos passam, as vidas passam, mas tu e eu, somos um. A unidade base do amor, indivisível, indestrutível, inquebrável, independente dos corpos estarem próximos ou não.
Sempre que esta música toca, as almas dançam, e longe, algures num rio que corre, canta as nossas vozes, inseparáveis até ao fim dos tempos.



The Blue Danube Op. 314 - Strauss II

terça-feira, abril 14, 2009

Tango to Evora

O som embala a dança, assim como as palavras embalam o sentimento....

segunda-feira, abril 13, 2009

Desafio da Gata



A gata Christies é um querida e ofereceu-me este selo. Obrigado gata.
No entanto o presente vem com uma batata quente, que é enumerar as minhas 5 manias/obsessões/apegos, assim sendo, aqui vai:

1. Dormir despido
2. Beber um copo de água ao acordar
3. Escrever
4. Enviar sms
5. Anatomia de Grey

Vou atribuir este selo e o correspondente desafio a:

1. Eu mesma!
2. SRRAJ
3. Ana
4. Yiskay
5. Zabour

Quero ver essas respostas...

Donna Maria - vinho do porto


Esta "menina" canta muito. Os Donna Maria são a prova que em Portugal também se pode fazer boa música e não só aquelas porcarias que as nossas rádios nos fazem ouvir.

domingo, abril 12, 2009

'As Ilhas dos Açores' - Madredeus

A paz, tão ansiada paz numa música de imagens.
A paz aqui tão perto...
A paz em mim
nos meus olhos, na minha boca, na minha alma.

A paz que quero partilhar.

Bom resto de Domingo....

Noite



Forço-me na noite pelas ruas, pelos sons, pelas vozes. Procuro o que em mim me falta e só encontro a vazio já conhecido do poder ter e não ter por não ser o desejado.
A noite não me traz nada de novo.
As caras novas, não me trazem nada de novo.
Está escuro aqui dentro e tarda a nascer o sol, tarda o dia a chegar.
Não há mais nada que possa sentir, que possa querer, que afaste de mim esta dor do silêncio que não se quebra, e que eu não posso quebrar...

sábado, abril 11, 2009

Estrela do mar

"... só ele sabe quem sou, no princípio e no fim..."

Gaivota

Se uma gaivota viesse
Trazer-me o céu de Lisboa
No desenho que fizesse
Nesse céu onde o olhar
É uma asa que não voa
Esmorece e cai no mar

Que perfeito coração
No meu peito bateria
Meu amor na tua mão
Nessa mão onde cabia
Perfeito o meu coração

Se um português marinheiro
Dos sete mares andarilho

Fosse quem sabe o primeiro
A contar-me o que inventasse
Se esse olhar de novo brilho
Ao meu olhar se enlaçasse

Que perfeito coração
No meu peito bateria
Meu amor na tua mão
Nessa mão onde cabia
Perfeito o meu coração


Se ao dizer adeus à vida
As aves todas do céu
Me dessem na despedida
O teu olhar derradeiro
Esse olhar que era só teu
Amor que foste o primeiro

Que perfeito coração
No meu peito morreria
Meu amor na tua mão
Nessa mão onde perfeito
Bateu o meu coração

Alexandre O'Neil

Almost Unreal

Babe, come in from the cold, and put that coat to rest.
Step inside, take a deep breath, and do what you do best.
Yea, kick of those shoes, and leave those city streets.
I do believe love came our way, and fate did arrange for us to meet.

I love when you do that hocus pocus to me.
The way that you touch, youve got the power to heal.
You give me that look, its almost unreal, its almost unreal.

Hey, we cant stop the rain, lets find a place, by the fire.
Sometimes I feel, strange as it seams, youve been in my dreams all my life.

I love when you do that hocus pocus to me.
The way that you touch, youve got the power to heal.
You give me that look, its almost unreal, its almost unreal.

Its a crazy world out there. lets hope our prayers are in good hands tonight.

sexta-feira, abril 10, 2009

Ocupação mental



Programa para esta noite:
cinema, filme de terror, para me esquecer do terror da ausência...

Novo capítulo.

Dois meses depois, voltei ao conto que tinha começado em Janeiro. Peço mais uma vez desculpa pela demora, mas como bem sabem não tenho tido tempo para desenvolver algo tão intricado como uma história que pretende manter o suspense até ao final.
Para quem já seguia, sabem onde ir, para quem está cá de novo, convido a ler:

Sem Ti (r)

(cliquem para aceder)

The blue lovers



Azul
amante
céu e mar.
Azul tão quente,
errante
presente.
Azul tristeza,
amor
beleza.
Azul fraterno,
abraço eterno.
Azul
que ficas
gravado na pele
deitado na cama
em cada palavra
que em meus lábios te chama.
Azul
Adeus sentido,
do amor perdido.

Pintura: Marc Chagall

Intensidade

Há nos nossos dias uma intensidade em tudo o que fazemos. Temos pressa para tudo. Para fazer, para ver, para sentir, para comer, para tudo. Não nos demoramos um pouco que seja para verdadeiramente apreciar o que está à nossa volta.
Eu, por mim falo. Quando chega um dia assim, feriado, sinto-me a olhar as coisas de maneira diferente. Com mais atenção, mais carinho, mais no seu todo, porque a pressa dos outros dias leva-nos, invariavelmente, a percepcionar apenas a parte.
Por exemplo, comer. Uma refeição saborosa, como a que tive o prazer de ter esta semana, arroz de lingueirão, num restaurante que à primeira vista não nos oferece grande confiança, não teve o impacto em mim que teria se a tivesse tido hoje, com tempo, com companhia, com a partilha do momento, e talvez até com a uma garrafinha de vinho... mais, a vista que me acompanhou, a praia, o mar, o som das ondas e a brisa, tudo isto, naquele dia me pareceu normal, quotidianamente normal, mas se o fizesse hoje, amanhã, ou Domingo, com uma companhia especial, a cada saborear daqueles bocadinhos de mar temperados com sabores e aromas da mãe terra, saber-me-iam bem melhor.
Isto tudo para dizer que, os feriados, os momentos, as refeições, as vistas dos mares, das terras, dos ares, sabem melhor quando partilhados, quando partilhados com alguém especial, seja amigo, familiar, namorado ou amante.
A vida é para ser partilhada, e eu, quero partilhá-la, acima de qualquer outro sentimento, é a partilha que me move e me faz desejar sentir a dois.

Boa sexta feira a todos e, boas partilhas.

quinta-feira, abril 09, 2009

FLASHDANCE!

Quem não se lembra disto?
Rever este clip transporta-me para a altura em que percebia muito pouco de quase tudo.
Era inocente, ingénuo, sonhador, como qualquer criança.
Olho agora para trás e vejo que este video é uma excelente analogia para as nossas vidas. O esforço constante, a crença de que vamos ser capazes, a alegria de fazermos o que gostamos devem ser constantes no nosso dia.
E, seja ao acordar ou ao adormecer, sabe bem dizer, estou vivo, WHAT A FEELING.....

Trouble Is A Friend

quarta-feira, abril 08, 2009

Os laços

"the ties that bind us are sometimes impossible to explain. they connect us even after it seems like the ties should be broken. some bonds defy distance... and time... and logic...because some ties are simply... meant to be..."

Tradução livre:

"Os laços que nos ligam são por vezes difíceis de explicar. Ligam-nos mesmo quando parece já terem sido quebrados. Desafiam a distância, o tempo e a lógica porque simplesmente estão destinados a existir."


Grey's Anatomy S5 E8

A ilha

Há numa ilha a magia,
as cores saltitantes de flores
e os ventos calmos do mar
que nos fazem querer ficar sempre mais um pouco
depois do sol se pôr.
Há na ilha uma certeza
que os trilhos da serra se completam
e as escarpas profundas
são as defesas da Terra,
o teste para amantes e loucos
que a pouco e pouco se aventuram.
Há na ilha o doce,
a ternura,
a vida breve de um amor perfeito,
um amor eterno à espera,
do encontro de dois lábios suspeitos.
Há no mar que a envolve
o calor de sorrisos rasgados em tardes suspeitas
e de certezas nascidas
do sopro da vida.
Na ilha em que me demoro,
me encontro
me sei
não há regra nem lei.
É a anarquia de sentimentos,
num corpo arrepiado
em que se espelha a verdade nua.

Anoitecer




Sobra-me em sentir o que me falta em palavras. Deixo Florbela para vos fazer companhia...

Anoitecer

A luz desmaia num fulgor d'aurora,
Diz-nos adeus religiosamente...
E eu que não creio em nada, sou mais crente
Do que em menina, um dia, o fui... outrora...

Não sei o que em mim ri, o que em mim chora,
Tenho bênçãos de amor pra toda a gente!
E a minha alma, sombria e penitente,
Soluça no infinito desta hora...

Horas tristes que vão ao meu rosário...
Ó minha cruz de tão pesado lenho!
Ó meu áspero intérmino Calvário!

E a esta hora tudo em mim revive:
Saudades de saudades que não tenho...
Sonhos que são os sonhos dos que eu tive....

Florbela Espanca

segunda-feira, abril 06, 2009

Post para desanuviar

A fada desafiou... aqui vai....


Quatro trabalhos que tive na minha vida:
1 - Chega uma, só sei ser vendedor
Até a mim me vendia mas ninguém me compra.

Quatro lugares onde vivi:
1 - Beja
2 - Faro
3 - Moncarapacho
4 - Albufeira

Quatro lembranças boas:
1 - O nascimento da minha filha
2 - O primeiro festival do Sudoeste
3 - O meu primeiro beijo
4 - O momento em que soube o que era o amor

Programas de TV que assistia quando era criança:
1 - Dartacão
2 - Willy Fog
3 - Tom Sawyer
4 - Mofli

Programas de TV que assisto:
1 - Anatomia de Grey (amoooooooooooo)
2 - BBC vida selvagem

Quatro lugares que estive e que quero voltar:
1. Praga
2. Budapeste
3. Madrid
4. Pirinéus

Quatro formas diferentes que me chamam:
1. Poeta
2. Parvo
3. Cromo
4. Tótó

Quatro pessoas que me mandam emails quase todos os dias:
1. Não ligo a mails em cadeia...

Quatro comidas favoritas:
1. Queijo
2. Pão
3. Vinho (pode ser? posso mastigar...lol)
4. Chocolate

Quatro lugares onde desejaria estar agora:

1. Lisboa
2. Lisboa
3. Lisboa
4. Já disse Lisboa?

Amigos que creio que me responderão:

Os que tiverem mais paciencia que eu, que me limitei a copiar o da fada e fazer algumas alterações lol

Espero que neste ano de 2009 eu possa:

1. Encontrar
2. Ter
3. Esperar
4. Viver

The End of The World

Porque há momentos em que é preciso saber dizer adeus, mesmo que tudo deixe de fazer sentido...

domingo, abril 05, 2009

Pele

Roço-me na tua pele quente, nua, como se de uma camisola me tratasse. Envolvo-te e toco-te os seios que endurecem na minha passagem. Arrepiada aceitas o meu toque e deliras aos poucos com a minha respiração que te desbrava o ventre, a nuca, os braços e os dedos que beijo e faço dançar com a minha língua.
Percorro-te com as mãos, fortes, que te agarram e te largam, em movimentos contínuos e simulações de prazer.
Tua pele é morena, como uma paisagem de Verão no Alentejo, e o calor que me dás, é o sol que te doirou.
O teu sorriso faz-me avançar pois é o teu gesto de querer. Eu, não me faço rogado e deslumbro-me em ti, com palavras ao ouvido, dentadas sensuais nas orelhas escondidas pelo cabelo. Invado o teu reino, deliciosamente fecho os olhos, e todo eu estremeço.
Reclamo para mim todo o território do teu reino escondido. A gruta que escondes na nuca, um pouco acima do pescoço que enquanto amo, beijo.
Reclamo-te a ti, porque és minha. Porque sou teu. Porque juntos seremos um. Como o somos agora, neste momento em que gritamos em uníssono o prazer. Neste momento em que fixamos o olhar bem fundo um no outro e, ruborizados, sorrimos...

Se te amo

Se te amo,
os pés vagueiam na areia da praia
e as ondas brilham-me os olhos.

sábado, abril 04, 2009

Humanidade a quanto obrigas...

Sou humano, repito, sou humano. Erro. Muitas vezes.
Não espero a perfeição dos outros porque sei que também eu não a tenho.
Dou-me muito, é verdade, vocês sabem disso. Mas eu não consigo ser igual a toda a hora. Há dias em que não tenho tempo, dias em que não tenho estado de espírito, dias em que não me suporto nem a mim. Há dias em que não me consigo dar...
Mas, acho que isso não faz de mim má pessoa. Não deixo de pensar em todas as pessoas que me querem bem, todas as pessoas que estão na minha vida.
Não dizer, não significa não pensar.
Há alturas na vida em que somos confrontados com situações tão... tão... overwhelming, que não sabemos para que lado nos virar e, muitas vezes, são os amigos que sofrem. E sofrem das mais variadas maneiras, pela ausência, pela impossibilidade de nos ajudarem, pela nossa revolta, pela nossa mágoa. Eu tento não os incomodar quando estou perante algo assim. Tento manter tudo como dantes, mas às vezes é impossível.
Estou numa dessas fases. Quando ela me atingiu, fechei-me, afastei-me, rejeitei todo o tipo de ombro que me ofereceram. Sei que magoei certas pessoas e sei que houve quem soubesse esperar.
Começo agora a saber lidar com a situação, por isso quero pedir desculpa a quem magoei e a quem atingi com a minha falta de rumo. Quero pedir desculpa por planos alterados que qualquer atitude minha possa ter provocado.

Errare humanum est

A meio da tarde

A meio da tarde,
eis que o sorriso volta e a a alma fica quente.

Obrigado vida, obrigado sol, obrigado.... :)

Fever!

Lua na Ponte - Susana Félix

Será que me reconheces
De frente para o rio,
De cara lavada
Tão cheia de frio

Era doce a solidão
Se vivida só por nós
Mais um pouco dizes: não!
Quem dera estármos a sós...

Só a lua que acordou
Em dia fogo,
Rasga a ponte sem pedir

Não, não corras tanto
Porque morro
No momento de partir

Por mim eu não complico
Que forma de estar perfeita...
Pára a lua num instante
Que é só ela que me deita.

O silêncio não é justo,
Não se ouve o coração.
Por palavras soa torto
Mais vale dizer que não!

Só a lua que acordou
Em dia fogo,
Rasga a ponte sem pedir

Não, não corras tanto
Porque morro
No momento de partir

Susana Félix

sexta-feira, abril 03, 2009

Death is not the end

Tenho muitas vezes atitudes que podem não fazer sentido à maioria das pessoas que comigo lida tanto na vida real como nesta vida mais virtual.
Parafraseando o recentemente falecido João Aguardela, mas adaptando-o à minha realidade, esta vida de blogger está a dar cabo de mim!
Não vou entrar em pormenores, nem pequenos, nem grandes, vou apenas dizer que tive a real ideia de acabar com este espaço, até porque quando o fiz não sabia da existência da ferramenta de recuperação.
Sei que muitos ficaram surpreendidos, sei que desiludi alguns também e sei que houve quem tenha ficado muito feliz.
Mas, principalmente, sei agora que nada disto fazia sentido.
A ideia esboçada de criar outro cantinho pareceu-me o melhor caminho. Um espaço impessoal, onde pudesse ir satisfazendo o gosto pelas letras, mas que mostrasse pouco de mim. Esse era o meu plano e, no final de uma semana em que o tempo foi apenas uma miragem, sento-me neste sofá para o construir e penso, não, esse não sou eu. Não me posso forçar a ser fútil, banal e a falar só do quotidiano. As letras que fluem de mim acabam invariavelmente em sentimento e isso não é só uma imagem de marca, é um estado de espírito.
Por isso, vou continuar este espaço que em Novembro faz 4 anos.
Vou continuar a escrever poesia, a amar em verso, a deixar aqui a prova que está à vista de todos, mas ninguém consegue ver.
Vou ser eu, mais que nunca, o homem que pensam esconder-se por detrás das letras, mas que sente na realidade tudo o que escreve. O homem com defeitos, o poeta que por vezes lhe apetece falar de futebol. O homem que vive num mundo de sonho, num mundo em que anseia constantemente que algo aconteça. Que algo mude naquilo que o envolve e não parece ter fim à vista.

Não escrevo para o engate.
Não escrevo para que me elogiem.
Não escrevo para fazer festinhas a egos mais sedentos.
Não escrevo para fazer seja o que for.
Escrevo porque necessito de o fazer. Escrevo que me é natural. Escrevo porque preciso desta janela para chegar a quem não tem outra forma de me saber.

Por isso, as Planícies estão de volta, e eu, aqui estarei a cantar, até que a voz me doa, aos quatro ventos, tudo aquilo que amo, quem amo e como sei amar.

sábado, março 28, 2009

Eternamente

Ardem-me os olhos da noite que se despede
dos sonhos que ficam, sensações à flor da pele
dias a fio pintados a tons pastel
e estremece-me o corpo no abraço que te prende.

Há na dor um desejo, uma fonte, uma sede
um cama vazia à espera, numa espera cruel,
um doce carinho, dois braços de mel,
uma vida, partilha, um olhar que entende.

Quero tocar teu corpo, sentir a paixão,
conhecer teu cheiro, arrepiar-me sem fim,
ser a tarde mais longa, eterno Verão.

Saborear, amar, sentir-te em mim
ser o teu soldado na luta, na imensidão,
a teu lado afastar quem nunca te soube assim.

sexta-feira, março 27, 2009

Aconteceu

Aconteceu
Eu não estava à tua espera
E tu não me procuravas
Nem sabias quem eu era
Eu estava ali só porque tinha que estar
E tu chegaste porque tinhas que chegar
Olhei para ti
O mundo inteiro parou
Nesse instante a minha vida
A minha vida mudou
Tudo era para ser eterno
E tu para sempre meu
Onde foi que nos perdemos?
O que foi que aconteceu?
Tudo era para ser eterno
E tu para sempre meu
Onde foi que nos perdemos, meu amor?
O que foi que aconteceu?
Aconteceu
Chama-lhe sorte ou azar
Eu não estava à tua espera
E tu voltaste a passar
Nunca senti bater o meu coração
Como senti ao sentir a tua mão
Na tua boca o tempo voltou atrás
E se fui louca
Essa loucura
Essa loucura foi paz
Tudo era para ser eterno
E tu para sempre meu
Onde foi que nos perdemos?
O que foi que aconteceu?
Tudo era para ser eterno
E tu para sempre meu
Onde foi que nos perdemos, meu amor?
O que foi que aconteceu?

quinta-feira, março 26, 2009

To really love a woman


Musica e desejo do dia... "to really love a woman to understand her, you got to know her deep inside"

quarta-feira, março 25, 2009

O meu reino por um pouco de paz

Dava o meu reino hoje por um pouco de paz. Daquela boa, que traz quentinho no peito e brilhozinho aos olhos...
Mas não... o dia ainda dói, e hoje é noite de Rachmaninoff a tocar incessantemente...

Um beijo a todas as que me seguem e me lêem. Sei que raramente respondo a comentários, mas é sempre bom sentir-vos aí.

Desculpem as nuvens, mas há dias assim... melhores virão, a começar por amanhã.

terça-feira, março 24, 2009

Sorrisos, abraços, beijos e amassos

Gosto de sorrir, gosto de brincar, gosto de ouvir os gatos a miarem. Gosto de me sentar num jardim a ver o buliço das gentes.
Gosto da chuva. Adoro o vento. Adoro a Lua.
Gosto de andar descalço na areia, não na quente, mas sim naquela junto à rebentação, fria e que dança com os dedos, embalada pela água salgada.
Gosto de beijos e de abraços. E de amassos também :)
Gosto da latitude e da longitude e de como elas me dizem onde estou.
Gosto de estar, de ser e de ficar.
Gosto de cortinados, da forma como deixam a luz entrar, entrecortada.
Gosto de ler o horóscopo do dia e sorrir com tanto disparate. Leio o meu e depois o teu. Sempre, todos os dias de manhã.
Gosto da primeira bica do dia, do amargo do café que me fica na boca.
Gosto de ficar sem fôlego com um pensamento. Uma saudade, um momento, uma palavra. Gosto de brincar com as palavras.
Gosto de estar deitado, de lado, a olhar...
Gosto de adormecer com duas almofadas. De acordar e antes de abrir os olhos ter esperança, levantar-me, olhar o espelho e dizer, é hoje!
Gosto das pequenas coisas, dos pequenos pormenores de que a Lita, tão bem fala.
Gosto das surpresas boas.
Gosto tanto de tanto, que sinceramente, o que mais gosto é mesmo de gostar de tanta coisa :)

segunda-feira, março 23, 2009

Fogueira

Danço na fogueira.
Danço na chama que me consome,
nos dedos que, enormes, tentam chegar-te.
Queimo-me na tua pele,
no teu rosto.
Beijo os lábios
doces de sol posto.
Sou tinta bamboleante,
de pincel errante, que na tela tenta desenhar-te.
Sou o verniz nas tuas unhas,
o reflexo em teus olhos.
Sou amar-te, sou ter-te,
sou um verbo que se conjuga na tua boca.
Sou a água de outrora,
o vento de leste, amargo, agreste,
o sonho que te ama na aurora.

domingo, março 22, 2009

I had a farm in Africa

Começa assim o filme que vi, não sei já há quantos anos, e que mais me marcou até hoje. Acho que me defini amorosamente por ele, e mais tarde pela história da K e do Count Laszlo Almasy.
Sempre tive uma tendência incrível para relações amorosas com propensão para o fatalismo. Acho que só se ama, quando se ama intensamente. E sim, o amor vem no primeiro olhar, no primeiro toque, na primeira palavra, na primeira imagem que se constrói dentro de nós.
Um dia, vou escrever um livro. Uma história de amor, desse amor que falo, o amor paixão, o amor arrebatador. Esse amor, não vem com os anos, aliás, com os anos, muitas vezes, esfuma-se, dando lugar ao amor amizade, amor carinho, amor hábito. É amor na mesma, mas... saudade, saudade, sentimos daquele primeiro, que nos fez ver o céu mais azul e uma oitava cor no arco-íris.
No entanto, ninguém consegue viver assim continuamente, e por isso mesmo, os filmes de que falei, retratam histórias fatais, amores de uma vida, que ficam eternamente vivos na memória até que os dias se esvaiam completamente das vidas de quem pode dizer que viveu!
As pegadas impressas na alma são indestrutíveis, li uma vez, e concordo.
Quando se ama assim, acabamos por ser injustos para quem vem a seguir. Porque sentimos sempre que esse sentimento nunca estará à altura daquele outro. Nunca voltaremos a sentir na pele o arrepio do olhar, a voz embargada por um silêncio, por uma cumplicidade. E sim, aí somos injustos connosco próprios porque não nos damos uma oportunidade.
Mas, já estou a divagar, e, o que quero dizer, é muito simples, amem! Intensamente! Repito-me de quando me intitulava de poeta, mas não me canso, amem! Sem olhar a mais nada. Sejam inconscientes! Dêem-se completamente. Vivam o amor paixão. Os outros amores, têm tempo de chegar. Não partam para a vida a dois sem o sôfrego amor.
Não quero dar lições de moral, mas sinto cada vez mais que as pessoas não se entregam, que se juntam por convenções, tradições ou, a pior de todas para mim, por questões económicas, do tipo, viver a dois permite um maior desafogo que viver sozinho. São tudo razões respeitáveis, no sentido que cada um faz as curvas como quer, mas, pensem daqui a uns anos, quando já tiverem a barriguinha crescida, ou as meninas, um peito mais flácido e as rugas a ameaçarem, acham que vão olhar para trás e sentir-se felizes? Alguns sim, sem dúvida, mas a maioria de nós, o que não daria para poder recordar, e dizer, todas as manhãs ao espelho, "eu já sei o que é o amor, a paixão".
Por isso, lutemos para sermos felizes. Ele chega sempre, se tivermos paciência para esperar por ele. Perseverança para lutar por ele. Desejo que ele venha ter connosco.
Há tantas pessoas lindas no mundo, por dentro e por fora, mas só uma encaixa na perfeição em nós. Eu quero essa perfeição, e vou lutar por ela, e vocês?

Angústia

Será que ainda me resta tempo contigo,
ou já te levam balas de um qualquer inimigo.
Será que soube dar-te tudo o que querias,
ou deixei-me morrer lento, no lento morrer dos dias.
Será que fiz tudo que podia fazer,
ou fui mais um cobarde, não quis ver sofrer.
Será que lá longe ainda o céu é azul,
ou já o negro cinzento confunde Norte com Sul.
Será que a tua pele ainda é macia,
ou é a mão que me treme, sem ardor nem magia.
Será que ainda te posso valer,
ou já a noite descobre a dor que encobre o prazer.
Será que é de febre este fogo,
este grito cruel que da lebre faz lobo.
Será que amanhã ainda existe para ti,
ou ao ver-te nos olhos te beijei e morri.
Será que lá fora os carros passam ainda,
ou estrelas caíram e qualquer sorte é benvinda.
Será que a cidade ainda está como dantes
ou cantam fantasmas e bailam gigantes.
Será que o sol se põe do lado do mar,
ou a luz que me agarra é sombra de luar.
Será que as casas cantam e as pedras do chão,
ou calou-se a montanha, rendeu-se o vulcão.

Será que sabes que hoje é domingo,
ou os dias não passam, são anjos caindo.
Será que me consegues ouvir
ou é tempo que pedes quando tentas sorrir.
Será que sabes que te trago na voz,
que o teu mundo é o meu mundo e foi
feito por nós
.
Será que te lembras da côr do olhar
quando juntos a noite não quer acabar.
Será que sentes esta mão que te agarra
que te prende com a força do mar
contra a barra.
Será que consegues ouvir-me dizer
que te amo tanto quanto noutro dia qualquer.

Eu sei que tu estarás sempre por mim
não há noite sem dia, nem dia sem fim.
Eu sei que me queres, e me amas também
me desejas agora como nunca ninguém.
Não partas então, não me deixes sozinho
Vou beijar o teu chão e chorar o caminho.

Pedro Abrunhosa

Saudade

Tenho a saudade presa nos lábios.
Sinto a tua falta.
De te ler.
De te abraçar, nos pequenos momentos,
pequenos instantes,
nos enormes sorrisos cúmplices de amantes.
Sinto a falta de me encontrar em cada verso teu
e de me deitar na certeza que o universo estava do nosso lado.
De encontrar na almofada
os sonhos que já não desejava.
Sinto a falta do teu toque,
da tua voz.
Sinto a falta do sol, em dias que, agora, amanhecem cinzentos,
sempre...
Sinto falta de ti
Sinto falta de mim
Sinto falta de nós...

sábado, março 21, 2009

Dia Mundial da Poesia

Poesia que corre em mim
rio desordenado,
restolho quente, desejo queimado.
Poesia que se encontrou em ti,
lua amada,
vento sul, deserto que sente.
Poesia que te quero,
porta entreaberta
desespero.
Poesia meu mundo,
meu caminho até ti,
desejo consumado,
pele, toque, cheiro e fado,
canção, sinfonia,
teu corpo, alegria.

Mistéééééério

Ia eu e a princesa sair de casa hoje de manhã, felizes e contentes, quando chegamos ao carro e damos com uma situação bizarra. Porta destrancada, ignição na posição 2, sem chave.... mau... pior, não só nada tinha sido roubado, como o alguém ainda deixou um escopo (utensílio de pedreiro para picar paredes) no banco de trás. Tenho cá para mim que o meu carro serviu de dormida... e esta hein?! Ah, e a bateria completamente descarregada.

Tinha lá o meu swatch, um blusão da levi's, e alguns brinquedos da pequenina, tudo intocado. Há coisas inexplicáveis. Ou sou sonâmbulo, ou há um ladrão muito simpático aqui a rondar.
Aceitam-se sugestões para explicar o sucedido.

Os teus pés

Quando não posso contemplar teu rosto,
contemplo os teus pés.

Teus pés de osso arqueado,
teus pequenos pés duros.

Eu sei que te sustentam
e que teu doce peso
sobre eles se ergue.

Tua cintura e teus seios,
a duplicada púrpura
dos teus mamilos,
a caixa dos teus olhos
que há pouco levantaram vôo,
a larga boca de fruta,
tua rubra cabeleira,
pequena torre minha.

Mas se amo os teus pés
é só porque andaram
sobre a terra e sobre
o vento e sobre a água,
até me encontrarem.

Pablo Neruda

sexta-feira, março 20, 2009

Vazio

Hoje, acordei, a cama estava vazia.
Fiz a barba, ouvi Nina Simone.
Tomei banho ao som de Nina Simone.
A cozinha estava vazia.
A sala estava vazia.
O telemóvel... silêncio.
Saí para o trabalho de alma vazia.
Voltarei, ou não...

o vazio permanece.

quinta-feira, março 19, 2009

Tenho um poema que não sai.
Um verso que não se mostra.
Uma dor que corrói, mata, destrói.
Uma alma que não encontra.
Tenho a distância a doer
e um vazio que me preenche.
Um corpo que estremece, na voz que não ouve,
na saudade que não vai,
na ausência que,
lágrima a lágrima, cai...

The closest thing to crazy



"I was never crazy on my own...
And now I know that there's a link between the two,
Being close to craziness and being close to you. "

quarta-feira, março 18, 2009

Os dias que me doem....

"Multipliquei-me, para me sentir,
Para me sentir, precisei sentir tudo,
Transbordei, não fiz senão extravasar-me,
Despi-me, entreguei-me,
E há em cada canto da minha alma um altar a um deus diferente."

Fernando Pessoa

terça-feira, março 17, 2009

segunda-feira, março 16, 2009

Eu sei que vou te amar

Eu sei que vou te amar
Por toda a minha vida eu vou te amar
A cada despedida eu vou te amar
desesperadamente vou te amar
E cada verso meu será
Pra te dizer que eu sei que vou te amar
Por toda a minha vida
Eu sei que vou chorar
A cada ausência tua eu vou chorar
Mas cada volta tua há de apagar
O que essa tua ausência me causou
Eu sei que vou sofrer
A eterna desventura de viver
A espera de viver ao lado teu
Por toda a minha vida

domingo, março 15, 2009

Excertos...


Faço-te deslizar sobre a cama, sobre os lençóis ainda amarrotados pelo ímpeto da paixão e deixo-te nua a olhares-me. Pego no pincel chinês, de pêlo de marta, e na tinta sépia e, dirigindo-me a ti, digo para te virares. Olhas-me carente e apaixonada e obedeces-me deixando a planície das tuas costas completamente a minha mercê. Sento-me junto a ti e começo a escrever, suavemente, arrepiando a pele ao toque do pincel e da tinta fria. Oiço-te gemer baixinho, na antecipação do prazer, e contrais-te quando, para escrever mais um verso, te toco a pele com a mão.
Escrevo sem parar e, a palavra sinto-te cada vez mais excitada. Perguntas-me, o que estás a escrever? Respondo-te, estou a escrever-me a mim, em ti.
Não me deixando continuar, viras-me e beijas-me, e entre tintas e pincéis, versos, poesia e palavras desgarradas, voltamos a fazer amor sob um sol que entardecia.

- Não me deixes nunca!
- Como te posso deixar, se já és parte de mim?
- Amo-te tanto...
- Sou-me em ti.

sábado, março 14, 2009

Life

it's not the meaning, it's the feeling of life that matters.

À tarde com saudade

Voa nas asas livres da gaivota
todo o meu ser revolto de saudade
voam os beijos que te dou na eternidade
os sorrisos quentes nos teus lábios, na tua boca.

Vive na noite, nas sombras da Lua,
os prazeres, desejos, que te não dei.
A terra selvagem, sem ordem nem lei,
que conquisto ofegante na pele nua.

Na certeza de te vir um dia a amar,
deixo-me ir, embalado na tarde calma,
sentimentos ao leme, sonhos no olhar.

Envoltos em calor, desejo, brisas do mar,
deitados na cama, fazendo amor com a alma,
corpos despidos, um desejo... ficar...

sexta-feira, março 13, 2009

Ne Me Quitte Pas - Nina Simone

Misterious ways

The universe has its own misterious ways...

O ano começou e trouxe um ímpeto de Primavera.
Como uma semente adormecida, irrompeu pela vida fora e nada será como dantes. Esqueceu-se do Inverno, e trouxe-nos a todos novos sentires, novos olhares, novos fazeres.
O que começou como um caminho de esperança, revelou-se apenas um meio para atingir um fim. Sem esse "pequeno" acontecimento, não se teriam desencadeado tantos outros que vieram ligar, quem sabe para sempre, almas que andavam desavindas. O universo conjugou-se numa simples pergunta, num simples pedido, numa simples ajuda de uma amiga. Sem isso, nada tinha acontecido, e as almas não se tinham encontrado.
Há no entanto almas que não se compatibilizaram e se afastaram, talvez mais por questões pragmáticas que sentimentais ou espirituais, mas a verdade é que mesmo esse afastamento foi necessário para chegarmos ao caminho em que estamos.
A água turva da agitação inicial, começa a dar lugar a uma água límpida, em que a verdade vai vir ao de cima, em que só o essencial vai ficar e tudo se definirá.
Para tudo há um razão, e tu, tu, tu e tu, vieram por uma razão. Ela revelar-se-á em breve.
Eu já encontrei a minha chave, e o portão já abriu. Falta descobrir a vossa e o papel que cada um vai representar nessa abertura.
Uma coisa é certa, os sentimentos à flor da pele, já ninguém nos tira, e caminho com a certeza que quando pensei que não podia nunca encontrar mais romantismo num momento, numa situação, a vida vem com todo o seu vigor, e mostra-me que, afinal, os dias ainda podiam ser mais quentes em pleno Inverno.

Peço desculpa a quem não vai perceber o que escrevi, mas este é, decididamente, um post com destinatários. :)

quinta-feira, março 12, 2009

Ata-me

Ata-me em teu peito,
como a amarra de um navio
presa ao cais.
De rosto na pele,
olhos fechados,
lábios húmidos,
em teus seios desejados.

Agarra-me agora,
sem pudores,
sem demora.
Despe-te nos olhos,
que de tanto te amarem,
se deleitam a ver-te.

Encontra em meu corpo,
o caminho para ti,
encontra em meu ser,
o mapa do mundo,
que escondido na noite,
no poço mais fundo,
se revela agora,
teu cada segundo.

Deixas Em Mim Tanto De Ti

A noite não tem braços
Que te impeçam de partir,
Nas sombras do meu quarto
Há mil sonhos por cumprir.

Não sei quanto tempo fomos,
Nem sei se te trago em mim,
Sei do vento onde te invento, assim.
Não sei se é luz da manhã,
Nem sei o que resta em nós,
Sei das ruas que corremos sós,
Porque tu,

Deixas em mim
Tanto de ti,
Matam-me os dias,
As mãos vazias de ti.

A estrada ainda é longa,
Cem quilómetros de chão,
Quando a espera não tem fim,
Há distâncias sem perdão.

Não sei quanto tempo fomos,
Nem sei se te trago em mim,
Sei do vento onde te invento, assim.
Não sei se é luz da manhã,
Nem sei o que resta em nós,
Sei das ruas que corremos sós,
Porque tu,

Deixas em mim
Tanto de ti,
Matam-me os dias,
As mãos vazias de ti.

Navegas escondida,
Perdes nas mãos o meu corpo,
Beijas-me um sopro de vida,
Como um barco abraça o porto.

Pedro Abrunhosa

terça-feira, março 10, 2009

Excertos...

"Eu sei do que falas. Queres saber se o meu cheiro é o perfume com que sempre ansiaste, se o meu corpo encaixa perfeitamente no teu, se o meu rosto tem a perfeição a teus olhos de um quadro pintado por uma alma anónima. Queres saber se te prolongas em mim e se depois de me tocares nada mais vai ser como dantes e tuas mãos não serão mais as mesmas se não tiverem em si a minha pele. Eu sei do que falas, também o sinto..."

segunda-feira, março 09, 2009

domingo, março 08, 2009

Loucura

São sempre poucas as palavras
sempre poucos os minutos
sempre poucas as promessas...

És-te em mim... sou-me em ti...

o destino seremos.

sábado, março 07, 2009

A mulher

Cada mulher um mundo
um desejo
um querer.
Cada mulher um segundo,
uma flor,
um beijo
um aceitar para além do entender.

Que neste 8 de Março não escorra uma única lágrima no rosto de qualquer mulher.

Excomunguemos a Igreja

Que a Igreja Católica Apostólica Romana está cheia de parolos, já todos sabemos. Muitos de nós já o sentimos de perto. Mas acho que se foi longe demais. No Primeiro Jornal da SIC, hoje, dia 7 de Março de 2009, em pleno século XXI, foi noticiado o seguinte, uma criança de 9 anos, grávida por violação do padrasto, foi excomungada, bem como os seus pais, por ter efectuado um aborto. Mais, a equipa médica, levou pela mesma medida e também foi excomungada. Para os mais leigos passo a explicar com um exemplo prático, esta criança, um dia mais tarde, não poderá vir a casar, por igreja, por ter interrompido uma gravidez fruto de uma violação.
Relembro a idade, 9 anos...
O violador, esse, não foi excomungado...

Eu, acredito em Deus, acredito na mensagem de Jesus Cristo. Acredito no amor, no perdão, no dar a outra face. Acredito que podemos ser sempre melhores e que assim influenciamos quem nos rodeia. Mas, recuso-me a ser considerado parte desta Igreja.

The kingdom of god is within you and not around you... e cada vez tenho mais a certeza disso.

sexta-feira, março 06, 2009

Only when I sleep - The Corrs

You're only just a dreamboat
Sailing in my head
You swim my secret oceans
Of coral blue and red
Your smell is incense burning
Your touch is silken yet
It reaches through my skin
And moving from within
It clutches at my breast

But it's only when I sleep
See you in my dreams
You got me spinning round and round
Turning upside-down
But I only hear you breathe

Somewhere in my sleep
Got me spinning round and round
Turning upside-down
But its only when I sleep

And when I wake from slumber
Your shadow's disappear
Your breath is just a sea mist
Surrounding my body
I'm workin' through the daytime
But when it's time to rest
I'm lying in my bed
Listening to my breath
Falling from the edge
But it's only when I sleep

Um sexto sentido...

Há em mim um sexto sentido que agrupa todos os outros e se revela em ti. Um sentido em que és cheiro, olhar, toque, sabor e suave melodia. Em que despertas todos os pontos mais sensíveis do corpo que reage invariavelmente a ti.
Um sexto sentido, um novo sentir...
Quero escrever a palavra que o defina e ela não me sai. Percorro o dicionário e nenhum termo é suficiente para descrever o que sinto, o que sentimos. Não é só amor, não é só paixão, não é só encantamento, não é só desejo. É tudo isso, mas é muito mais. Tem corpo. Tem gosto. Tem forma e poderes escondidos. Tem alma porque anseia e dedos que se formam nos desejos. Tem a saudade do que ainda não veio e a verdade do invisível essencial.
É a palavra, o sentir, o sentido mais completo. É a verdade, a certeza, a busca e o encontro.

O sexto sentido, o nosso sexto sentido, é isto e tanto mais....

quarta-feira, março 04, 2009

Filho do vento

Na bruma da manhã, depois da noite em que sempre me encontro, sou um ser renovado. Dia após dia o encantamento repete-se. Sou o filho do vento e da lua, nascido numa noite de Inverno. Herdei de meu pai, o vento, a inconstância, a semente errante, o improviso e os beijos roubados de lábios distraídos. A força da tempestade e a doçura da brisa, é-me genético como a cor dos olhos que o destino quis verdes.
Minha mãe, a lua, deu-me a subtileza de uma noite de lua cheia. A beleza do luar de Janeiro, frio, distante, mas surpreendentemente aconchegante. Sou as suas fases, os seus opostos. Sou cheio, sou novo, e sou quartos. Sou um constante nascer depois de um poente, a saudade que fica dos dias de sol, do quente na pele. Sou o mistério e as sombras da noite que ocultam sempre algo desconhecido. Um mistério constante, uma névoa que esconde, um cantar de coruja na escuridão.
Sozinho, na noite do luar mais longo do ano, nu, no precipício sobre o mar revolto, abro os braços, e deixo o vento embalar-me e levar-me para longe, a voar, para junto do sonho, para junto de ti.

segunda-feira, março 02, 2009

Eu...

eu...

sou muito mais do que aquilo que escrevo
sou olhos
voz
corpo
e cheiro.
Sou Deus e pecado,
sonhos desfeitos,
amores perfeitos,
eternamente tido e abandonado.