terça-feira, fevereiro 17, 2009

Brown Sugar

Adoro o castanho, sempre foi a minha cor. Faz-me lembrar o outono e as folhas a revoltarem-se com o vento. Lembra-me as vozes interiores que tantas e tantas vezes temos que calar. Como a chuva que nessa estação vem aos repelões, querendo ficar mas com medo de se impor.
Frequentemente nos limitamos na vida que levamos. Por medo, incerteza, ou insegurança, deixamos os dias correrem, e estes transformam-se em semanas, meses, anos, e quando queremos dar o grito estamos demasiado enredados na teia que deixámos e ajudámos a tecer à nossa volta, tudo se complica.
A maioria das vezes, há terceiros envolvidos, o que ainda dificulta mais, e a nossa reacção é, compreensivelmente, não a ter.
Também eu já vivi assim. O que fiz? Nada, deixei andar. Engoli lágrimas, recalquei sentimentos, forcei situações e momentos especiais. A frustração toma conta de nós quando tentamos sentir o que não sentimos. E a frustração é o pior que podemos sentir por nós próprios.
A situação acabou por se resolver por si, mas sem que para tal eu tenha contribuído, a não ser com a tristeza constante que os meus olhos sempre se negam a esconder, quando a alma a sente.
Por isso, deixo-vos um conselho, que até para mim é, muitas vezes, difícil de seguir, quando não estão felizes, lutem, e voltem a lutar, mas se a felicidade parece estar noutro local, acompanhado ou sozinho, tomem decisões!
Não esperem que a vida as tome por vocês.

Os caminhos nunca são fáceis. E mesmo aquele que parece mais feliz, pode demorar a chegar, mas se ao menos tentarmos, se dermos ao universo a oportunidade de conspirar um pouco por nós, tudo se torna mais fácil, tudo tem mais sabor, tudo se torna um novo horizonte. E mais, encontramos sempre, mais cedo ou mais tarde, quem nos dê a mão, o ombro e o sorriso para nos ajudar a trilhar esse caminho.

Ousem, sonhem, vivam! Com respeito por todos, mas principalmente com respeito por vós próprios, pelos vossos sentimentos, que são sempre o mais puro destino que podemos seguir.

Quando sentimos que sentimos, não o seguir será sempre a nossa maior traição.

Eu vou ousar, sonhar, viver, e para viver é preciso sentir.

9 comentários:

Ana disse...

"Quando sentimos que sentimos, não o seguir será sempre a nossa maior traição"

Sem dúvida!
Contrariar sentimentos será sempre a pior forma de perder. Negá-los... uma perda de tempo. Fugir deles... burrice.

Pior que a tristeza de se ter falhado, é com certeza o arrependimento de não se ter seguido o que se sentia.

Beijinhos

Miepeee disse...

Nem todas as pessoas conseguem expressar os seus sentimentos, nao tem certezas do que querem e acima de tudo preferem refugirar-se no medo.
Eu sei exactamente o que nao quero , quanto ao que quero embora nem sempre consiga, tento sempre porque prefiro arrepender-me por tentar do que ficar na angustia de nao saber como seria "se" ..., nao gosto de "ses".
Desculpa nao era susposto falar de mim...
Acho que fazes bem na tua decisao espero que seja bem sucedido :)
Beijo.

Ianita disse...

Adoro conspirações ;)

Kiss

izzie disse...

É bom ter a minha "alma" de volta... porque há parágrafos que são iguais e tu sabes.

Só me questiono, porquê o silêncio? Nem sobre as marcas que deixas te pronuncias... sei que as vês. Por isso, e com a paciência merecida, espero até ao final deste período.

Beijo

Lita disse...

É um bom texto. É um bom conselho! Vai em frente! :)

Van disse...

Oh pahhhhhh, eu já estava com vontade suficiente de comer chocolate!!!!!! :((

najla disse...

Nem mais. Gostei do que li. Força.
Beijinhos

Isabel disse...

Um destes dias peguei num livro cuja introdução me despertou algum interesse. Continuei a ler e deparei-me com o texto que abaixo transcrevi e de que me lembrei ao ler este post:

“- (…) A tua alma far-te-ia pesquisar a sua “memória” para ver como serias capaz de criar uma verdadeira expressão genuína de Ti no Momento de Agora. Esta é a experiência de “pesquisa da alma” de que tens ouvido falar tantas vezes, mas tens que estar literalmente “fora da tua mente” para o fazer.
Quando gastas o tempo a tentar perceber o que é “melhor” para ti, estás a fazer apenas isso: a gastar tempo. É melhor poupar tempo do que desperdiçá-lo.
Se passas o tempo a tentar imaginar o que é melhor para ti, as tuas escolhas serão cautelosas, as tuas decisões levarão uma eternidade e a tua jornada será lançada num mar de expectativas. Se não tiveres cuidado afogar-te-ás nas tuas expectativas

- Caramba! Isso é que é uma resposta! Mas como é que escuto a minha alma? Como é que sei o que estou a ouvir?

- A alma fala contigo em sentimentos. Escuta os teus sentimentos. Segue os teus sentimentos. Honra os teus sentimentos.

- Porque é que me parece que honrar os meus sentimentos foi precisamente o que me fez, antes de mais nada, arranjar problemas?

- Porque classificaste a evolução como “problemas” e ficar quieto como “seguro”. Digo-te: os teus sentimentos nunca te arranjarão “problemas”, porque os sentimentos são a tua verdade.
Se queres viver uma vida em que nunca sigas os sentimentos, mas onde cada sentimento é filtrado pelo mecanismo da tua mente, vai em frente. Toma as tuas decisões com base na análise que a tua mente fizer da situação. No entanto, não procures alegria nessas maquinações, nem a celebração de quem realmente és.
Lembra-te disto, a verdadeira celebração não tem mente.
Se escutares a tua alma saberás o que é “melhor” para ti, porque o que é melhor para ti é o que para ti é verdadeiro.
Quando ages apenas de acordo com o que é verdadeiro para ti, aceleras no teu caminho. Quando crias uma experiência baseada na tua “verdade de agora” em vez de reagires a uma experiência baseada numa “verdade passada”, produzes um “novo tu”
Porque demora tanto tempo a criar a realidade que escolhes? É por isto: porque não tens vivido a tua verdade. Conhece a verdade e a verdade libertar-te-á.
No entanto, uma vez que chegues a conhecer a tua verdade, não estejas sempre a mudar de ideias a seu respeito. Isso é a tua mente a tentar imaginar o que é “melhor”. Pára com isso! Sai da tua mente. Regressa aos teus sentidos! Os teus pensamentos são apenas isso – pensamentos. Construções mentais. Criações “fabricadas” pela tua mente. Mas os teus sentimentos – esses são reais.
Os sentimentos são a linguagem da alma. E a tua alma é a tua verdade.”

- Neale Donald Walsch, “Conversas com Deus – Livro II”

Confesso que neste momento estou um pouco decepcionada com o dito livro, mas, por alguma razão estranha, identifiquei-me com esta parte e com o teu texto.

Beijinhos (elevados a 10) e resto de boa semana :)

Fatucha disse...

Neste momento da minha vida eu identifico-me tanto com o que escreves nesta entrada, como se tivesses lido o meu pensamento, as palavras que escreves é tal como me sinto, mas não tenho inspiração como tu para saber tão bem escrever assim...bjs