segunda-feira, janeiro 26, 2009

Vicky Cristina Barcelona

Tive o prazer de ver um excelente filme esta noite, o mais recente do génio Woody Allen, originalmente denominado Vicky Cristina Barcelona.

Um triângulo amoroso, por vezes até um quadrado amoroso. Um filme sobre relações humanas, o amor e a paixão.

Dêem uma espreitadela ao trailer. Vale a pena.

Fez-me pensar em muita coisa este filme, mas talvez a reflexão mais importante de todas, e a de que vos quero falar aqui, é a necessidade, para mim incompreensível que muitas pessoas têm de fazer jogo duplo, e por vezes até triplo.
Há pessoas que olham a vida como um jogo de xadrez. Só fazem uma jogada, pensando já na próxima. Atacam quando sentem que têm a retaguarda protegida, e atiram ao desbarato sentimentos que não têm senão o intuito de prender pelo menos a atenção de alguém.
Eu nunca me dei bem com este jogo.

Contrariamente ao que às vezes tentam insinuar, eu não me acho nenhum santo, nenhum anjo. O que vêem aqui é simplesmente uma parte de mim. O poeta não é o A. e o A. não é só o poeta.
Se já disse coisas que não sentia? Sim, já o disse.
Se já seduzi alguém só pelo prazer da sedução? Sim, já o fiz .
Se já disse amar alguém sem o sentir? Sim, já.

Se tenho orgulho nisto? Não.

Li há uns dias um post que falava na capacidade que devemos ter de mudar. Na importância que o mudar tem na nossa vida. Na prova de inteligência e maturidade que é.
Descobri também há pouco a importância que tem perdoar-mo-nos a nós próprios.

Hoje consigo dizer, sem vergonhas, o que fiz. Consigo não ter vergonha, porque não sabia na altura não o fazer. Não sabia não o fazer, porque ainda não me conhecia o suficiente, ainda não tinha vivido o suficiente.

Isto tudo para dizer o quê? O poeta é um ser humano. Não tem carne e osso, mas tem sentimentos. Muitos. É parte de mim. Vive em mim, respira em mim, acompanha-me todo o dia. Só que ao poeta falta pragmatismo. Vê a vida em sonhos e por vezes tem dificuldade em descer a terra. Para esses momentos aparece o A.

O filme que vi é sobre as paixões da vida. Os encontros e os desencontros e as escolhas que fazemos.
O filme da minha vida tem sido sobre as escolhas que fiz e que faço todos os dias.
O meu presente é uma escolha minha.
Não me tentem arranjar outros porque é este que quero, é este que a vida me deu e é feio recusar presentes.

15 comentários:

Andy disse...

Gostei tanto do que escreveste...
Bjinho gd

Lize disse...

O A. tem que ser o poeta, e o poeta tem que ser o A. :) Se assim for, se os dois se completarem, serás o mais feliz que conseguires. Não só no blog, mas na vida também :)
O resto... já sabes o que acho :) ;)


Beijocas :)

Ianita disse...

Todos fazemos jogo duplo... triplo... quadruplo... todos! Há os que têm consciência disso e há os que se armam em santos... mas todos fazemos coisas que não queremos... todos dizemos coisas que não sentimos... a sinceridade absoluta é um mito! Diz o Morrissey:

Kindness is nice, and
Kindness can stop you
From saying all the things in
Life you'd like to

Sim... não dizemos tudo o que queremos... temos coisas entaladas na garganta. Muitas. Temos é de saber viver com isso e seguir em frente. Ter a coragem de mudar... Ter a coragem de pedir perdão... ter a coragem de perdoar... ter a coragem de viver...

Kiss

Francesa disse...

Eu tenho orgulho nessa tua atitude. Um beijinho!

Van disse...

Não vi ainda o filme. Já chegou às salas, cá?

izzie disse...

Bem... cinematograficamente... do oody prefiro o Match Point, ou não se passasse em Londres e não tivesse o Johnathan Rhys Meyers... =)

Quanto ao resto... cmo tu dizes... devias ir preso!
***

Zabour disse...

:O)

Um beijinho para os A's, todos juntos fazem uma pessoa maravilhosa.

Beijinhos, amigo!

poeta_poente disse...

ANDY:

E eu gostei muito do que escreveste no teu, sentido sentido. Obrigado :)

LIZE:

Como já falámos, é difícil ser um todo aqui. Há sempre muitas facetas ocultas em cada um de nós. Obrigado e já agora, boa viagem.

IANITA:

Acho que cada vez prendo menos as coisas que tenho na garganta. Ando muito desbocado, Beijo.

FRANCESA:

Obrigado, mais cedo ou mais tarde, a maturidade chega-nos. E as retrospectivas não são fáceis de fazer mas são muito necessárias. Beijo.

VAN:

No me caso chegou à sala da tua irmã, no pc da M. lollol Beijo
Não sei se já tá no cinema.

IZZIE:

Londres, londres... 2012? lol
Beijo

ZABOUR:

Obrigado, mas sabes bem que de maravilhoso não tenho muito. Tenho é muito jeito para o parecer. Beijo

Patrícia disse...

Palavras para quê?
É o nosso POETA!!!

Sininho disse...

Embora tenha lido ontem o post só hoje o vou comentar.
Estou a espera de ver o filme também. Em rlx aos jogos duplos, triplos... as tantas faces que podemos ter.. sim todos o fazem e todos os têm, uns por defesa, outros sem saber e outros ainda por pura maldade. Há no entando que elogiar quem reconhece o que é e como funciona.
Eu própria sem intenção ja o fiz e talvez ja me tenha magoado ou magoado alguém, talvez por em alguns momentos nao me compreender contudo no reconhecer que se errou é meio caminho andado para se ser melhor pessoa, quando claro existe arrependimento!

Um beijo grande poeta!

poeta_poente disse...

PATRICIA:

Lol, e o A.? Beijo...

SININHO:

Talvez melhor que ninguém das pessoas que comentou, sabes do que falo... :) Beijo

Sininho disse...

:) sei!

Estrela Cadente disse...

Já ouvi falar do filme e com o que escreveste, fiquei com curiosidade de ver...não fosse eu uma romãntica incurável...
Beijos.

poeta_poente disse...

ESTRELA CADENTE:

Vê, vale a pena. Beijo.

Sayuri disse...

A: És uma pessoa maravilhosa!
Poeta: Vives a 300 à hora...

Beijo de saudade